2ª Temporada - Episódio 4 - Fantasies Of An Assassin


Rebeca localiza uma possível vítima da contaminação costeira. Nora Perkins.

Ela se aproxima da casa afastada, trajando seu kit de detetive supimpa.

Sempre gostei do nome Ella. – Rebeca pensa.


Nora abre a porta ao ouvir o som da campainha.

NORA: Posso ajudar?

REBECA: Meu nome é Ella. Nós precisamos conversar.

Rebeca sorri.


NORA: Olha, não sei como você me achou, mas... Eu não creio que posso te ajudar.

REBECA: Na verdade sou eu que quero te ajudar, se me deixar. Eu sei tudo sobre a água, as vítimas.

Nora fica em silêncio, examinando o rosto de Ella, a agente especial.

REBECA: Escuta. Essa companhia já causou problemas demais. Eu odiaria vê-los fazendo isso com outras pessoas.

NORA: O que quer de mim?

Nora fica incomodada.


REBECA: Precisa me contar como chegaram até você...

NORA: Ano passado, eu estava tendo o momento da minha vida. Tinha um emprego cheio de benefícios num escritório no centro. Finalmente uma chance digna de sair desse buraco e...

Ela hesita.

NORA: De repente tudo desandou.

REBECA: O que aconteceu?

NORA: Eu não conseguia mais trabalhar. Perdia a concentração, passava mal, no começo eu pensava que era alguma coisa boba, mas os sintomas só acumularam. Primeiro vieram as náuseas, dores de cabeça, logo mais eu estava com essas sensações de que ia desmaiar. Por um momento acreditei que fosse pressão baixa...

REBECA: Mas não era.

NORA: Não.

Algumas lágrimas tímidas percorrem pela maçã do rosto de Nora.


NORA: E então as coisas pioraram.

REBECA: O que houve?

NORA: Um dia eu desmaiei no escritório e meu chefe chamou a ambulância.

Nora chora um pouco mais forte, Rebeca coloca a mão no ombro na tentativa de consolá-la.

NORA: Eu fui internada e eles... Eles me colocaram no alerta suicida.

Rebeca arregala os olhos por um segundo ou dois e começa a pensar se o hospital já havia antevisto os sintomas e feito a conexão entre Nora e a Frontier.

NORA: Eles me disseram que eu estava tentando me matar. Eu...


REBECA: Por que razão eles pensaram isso?

NORA: Porque eu fui diagnosticada com intoxicação por chumbo.

Rebeca arqueia as sobrancelhas, logo entendendo o motivo do hospital tê-la taxada como suicida.

REBECA: E você seguiu o tratamento?


NORA: Sim, mas foi uma verdadeira tortura. Não preciso dizer que perdi meu emprego. Não tenho nem mais vontade de sair de casa. Meus pais estão me ajudando com o pouco que podem. Eu estou muito assustada. Às vezes acho até que estou sendo vigiada.


REBECA: E você sabe como se intoxicou?

NORA: Sim. Por culpa da Frontier!

REBECA: Como soube?

NORA: Meu vizinho, Lance Ramoray. Ele veio com essas teorias.

REBECA: Teorias?

NORA: De que a água é a culpada. E eu não sou a única vítima.

REBECA: Nora, olha pra mim, isso é muito importante, quem mais você conhece que passou pela mesma coisa?

NORA: Olha em volta, Ella.

Rebeca instintivamente olha para as casas nas montanhas e fica mais séria de repente.


NORA: Você está cercada de vítimas.


REBECA: Eu não consigo achar esse tal de Lance de jeito nenhum. Parece que ele desapareceu da face da terra.

SOMBRA: É possível que a Frontier tenha colocado as mãos nele?

REBECA: Não sei...

Rebeca põe as mãos na cabeça e depois as passa pelo cabelo.

REBECA: Chumbo, Sombra. Como isso é possível?


SOMBRA: Canos de chumbo?

REBECA: Onde estamos? No século passado?

SOMBRA: O governo corta gastos. Economiza em alguns lugares. Não descarte a possibilidade.

REBECA: Preciso de respostas mais convincentes.

SOMBRA: O problema é que se forem canos de chumbo, a Frontier não seria exatamente a responsável.


REBECA: No minuto que a água sai do centro de tratamento e percorre pelos canos até as casas, é um trajeto independente da companhia.

SOMBRA: Então qual seria o interesse deles?

REBECA: Não são os canos. A companhia é culpada de alguma coisa, estou sentindo.


SOMBRA: Doutora, você quer que eles sejam culpados?

Ela faz uma careta de insatisfação.

REBECA: UUUUUUUUUUGH! Isso não é sobre mim. Não comece comigo...

Rebeca fica um pouco incomodada com a indagação de Sombra. Esperaria isso de Davis, mas não dele.

SOMBRA: Ok.


REBECA: Precisamos falar com mais pessoas.

SOMBRA: Como faremos isso sem arriscar a Frontier saber que estamos atrás deles?

REBECA: Não sei ainda. Mesmo usando nomes falsos, disfarces, ainda há uma grande chance de saberem que estamos fuçando o passado.

SOMBRA: Eu tenho uma ideia.

Rebeca tenta acender um tabaco, mas sua mão treme e ela não consegue usar o isqueiro. Finalmente desiste e o joga na parede.

REBECA: Merda!


SOMBRA: Se você fosse da polícia e precisasse saber mais sobre um paciente, aonde iria recorrer?


REBECA: Ao hospital. Mas eles tem o privilégio de confidencialidade.

SOMBRA: Então iria atrás de um mandado. Certo?

Rebeca encara Sombra, como se algo tivesse estalado naquela cabecinha loura desarrumada.

REBECA: Eu não sou mais detetive. Não preciso de um. Sou apenas uma civil, com habilidades maravilhosas de invasão de sistemas.


SOMBRA: Você entendeu, doutora.


Involuntariamente, Rebeca solta sua gargalhada mais sexy enquanto aproveita o ritmo lento do smooth jazz tocando ao fundo.

Seu velho amigo da polícia, agora aposentado, havia contado uma piada qualquer sobre funcionários públicos.

REBECA: Isso te leva de volta uns 10 anos. Você não presta!!!

E continua rindo.


RICHARD: Então, o que realmente a trouxe aqui?

REBECA: To tentando cobrir o meu traseiro num caso que eu estou trabalhando.


RICHARD: Artilharia pesada?

REBECA: Pode apostar essa bundinha de chocolate que sim.

Richard pousa seu charuto num cinzeiro especial, sorrindo, enquanto a plateia bate palmas ao fim de uma canção e ao início da próxima.

O saxofonista tagarela baixinho ao microfone algumas coisas inaudíveis a Rebeca.

O cheiro forte do charuto flerta com os sentidos dela.


REBECA: Vou ficar muito encrencada logo e vou precisar da sua ajuda.

RICHARD: Antes quero ouvir a sua história.

REBECA: Qual?

RICHARD: A que te fez fugir das trincheiras policiais e pular direto pros criminosos de primeira classe de Bridgeport.

REBECA: Vamos dizer que eu estou cansada de ver certas coisas e não poder fazer nada.

RICHARD: Engraçado como éramos instruídos a não encorajar atos de justiça com as próprias mãos.

REBECA: Ah qual é Richard, nós dois sabemos o quanto o protocolo é falho!

RICHARD: O que está me dizendo?

REBECA: Estou dizendo que como oficiais da lei dávamos mais ênfase à lei e nós dois sabemos que em muitos casos nada disso trás justiça e eu estou doente de farta.

Richard sorri e fecha os olhos.

RICHARD: Ta escutando?

REBECA: O contrabaixo?

RICHARD: Isso. Escute...


Richard parece balançar ao solo de contrabaixo. Rebeca aguarda a transição instrumental.


REBECA: Prefiro os clássicos de John Coltrane.

Richard dá uma risada.

RICHARD: Você é jovem!

REBECA: Ah é? Pois me sinto com 253 anos!

RICHARD: Não seja tão deprimente, uma hora ou outra vai se sentir jovem de novo.

REBECA: Espero que sim. Eu...

RICHARD: Você está com o coração no lugar certo, criança. Como quando entrou na força, fazendo o que deve ser feito. Veja, o mundo não é perfeito. E somos tão imperfeitos quanto necessário.

Ele sorri.


RICHARD: Se quer continuar a fazer o que está fazendo, tem o meu apoio. Mas nunca pare. Por ninguém.

Rebeca sente seu corpo viajando ao som das palavras de Richard.

RICHARD: Tá escutando?


O tempo da música muda. Veloz, alto, forte.

Richard sincroniza suas mãos com a música e tapeia a mesa de acordo – com os olhos fechados.

A paixão é tamanha que Rebeca quase pode tocá-la.

RICHARD: Escute... A música está te contando uma história.


O saxofone parece estar ainda mais alto. O tempo cada vez mais veloz. Levemente desafinado. Intenso.

O ritmo muda completamente. Não obedece aos pressupostos de ninguém.


RICHARD: Às vezes nós temos que sair da linha reta. Seguir outros caminhos. São meios necessários.

REBECA: Isso foi... Lindo.

RICHARD: E não é Coltrane. É você.

Os olhos de Rebeca se perdem no vazio.

RICHARD: Criança, quando e como estiver precisando...


Rebeca sente um impulso intenso, tendo adquirido a ajuda incondicional de Simmons, agora conhecido nas ruas como punhos de aço – por motivos que Rebeca não ousa saber nem em seus sonhos mais loucos.


As vidraças enormes dão vazão à noite iluminada de Bridgeport. A paisagem é inebriante e misteriosa.

Sombra caminha lentamente procurando pistas. E alguém.

Automaticamente se lembra do urso traiçoeiro, psicopata. É só um ursinho inofensivo, eles dizem.

Uma mulher sai do corredor tremendo.


Com um olho roxo, entre outros machucados, antigos e recentes. Ela parece nem se importar com a presença de Sombra – como se ele fosse um mero fantasma.


A moça, em absoluto silêncio, abre a porta principal da cobertura e desaparece na escuridão, leve feito uma folha de papel.

Sombra sabe imediatamente que o mesmo caminho contrário o levará até seu objetivo.

E o segue.


Jerrod se esparrama no chão, cheirando uma atrapalhada carreira de cocaína. Mal percebe a presença de Sombra.

Ele se sente como se estivesse em um sonho. Invisível, inaudível, capaz de tudo.

As memórias de um tempo tão antigo quanto às de uma vida passada emergem a superfície.


SOMBRA: Fantasias de um assassino moribundo.

Ele sussurra para si mesmo, ainda passeando pelas lembranças, mas com certeza de que Jerrod pode escutar a referência interna.

Jerrod vira o rosto na direção de Sombra e imediatamente solta um sorriso convidativo.

No mesmo momento, Sombra tem a certeza de que Jerrod está sob a influência. A luta não seria justa, mas quem está olhando?


Sombra pisa tão forte no estômago de Jerrod que ele engasga, fazendo um som estranho. Uma lágrima insiste em querer escorrer do rosto de Jerrod.

JERROD: Por favor...

É tudo o que ele consegue falar antes de sugar uma grande quantidade de ar em seus pulmões.

Sombra tira sua arma da jaqueta e a deixa descansando em seus dedos, apontando-a para baixo.


Depois aponta para Jerrod.

Ele sente sua mão soar no gatilho, pronto para ser apertado. Depois sente o dedo indicador formigando, literalmente. Parece um sinal biológico, natural.

É preciso ser feito. – ele pensa.

Mas não consegue.

Sombra se deita ao chão.


JERROD: Me mata.

SOMBRA: Por quê?

JERROD: Alguém tem que ganhar.

Sombra hesita por um instante, mas insiste em falar.

SOMBRA: Eu sei que entrou na minha casa na outra noite. Estava armado. Por que não acabou comigo ali mesmo?

Ele não responde.


Sombra sente como se tivesse ganhado, sem precisar puxar o gatilho.

Jerrod solta alguns ruídos e depois tenta construir alguma resposta, só que não consegue.

Sombra sente um pesar enorme no corpo, como se tivesse sido derrubado por 200 kg de areia.


O som do vento batendo nas vidraças da cobertura é a única coisa mais longe que Sombra consegue ouvir. De perto, a respiração de Jerrod.

Mas ele não consegue fechar os olhos.

SOMBRA: Eu quero fazer isto da maneira certa.


IVANOVIC: Você é louca, louca, louca!!!

REBECA: Você que me deixa louca, louca, louca!!! Credo parece o refrão de uma batida pop deliciosamente ruim dos anos oitenta!

Rebeca faz uma careta.


IVANOVIC: Eu não sei o que isso significa.

REBECA: Deixa pra lá. Vamos ao que interessa. Eugene Dutton.

IVANOVIC: Não tem ficha criminal. Não tem história com a Frontier.

REBECA: O quê?

Rebeca fica indignada.

IVANOVIC: Não--

REBECA: PUTA QUE PARIUUUUUUUUU!!!!!!!!!!!!!!

Ela berra do topo dos pulmões, deixando-o sem reação por alguns segundos.

IVANOVIC: Ele--Não--Não tem ficha criminal. Não tem...

Ela sorri.


REBECA: Eu não sou surda, te ouvi da primeira vez! Eu quis dizer, como isso é possível? Eu achei evidências.

IVANOVIC: Não estão mais disponíveis.

REBECA: Como não???

IVANOVIC: Algum espertinho com muito tempo livre se deu o trabalho de apagar tudo que havia entre Dutton e a Frontier. Tudo o que eu consegui recuperar foram fragmentos de menções jornalísticas. Nada mais. Então tudo o que você documentou pela internet não tem como corroborar.

REBECA: Como isso é possível?

IVANOVIC: Antes que pergunte de Barnes, mesma situação.

Rebeca se joga no sofá, afundando a cabeça no encosto. Mergulhando em frustração.


REBECA: E as fichas criminais?

IVANOVIC: Só um se destacou.

Rebeca se sente viva de novo.

REBECA: Fala, cacilda!


IVANOVIC: Phil Barnes. O falecido.

REBECA: O que encontrou?

Ivanovic se senta ao lado de Rebeca.

IVANOVIC: Eu gostaria daquele copo d’água agora.

E sorri, enquanto coloca a mão na perna de Rebeca.


Sombra abre a porta e Rebeca entra, especulando como ele tem acesso a este apartamento.

REBECA: Você se mudou e se esqueceu de me contar?

SOMBRA: Não. Essa é a minha segunda casa.

Rebeca solta uma risada nervosa.


REBECA: E você precisa de quantos lugares, doutorrrrr?

Ela fala com escarnio.

SOMBRA: Eu tenho cinco casas...

Rebeca para de sorrir quando percebe que ele esta falando a verdade.

REBECA: Ok... Eu acho.

Sombra se aproxima de Rebeca com rapidez, assustando-a.


Ele tira o casaco dela.

SOMBRA: Sente-se.

Rebeca escuta o barulho de alguém acertando uma bola de bilhar na caçapa, depois um riso comemorando.

REBECA: O que foi isso?

Eles se sentam no sofá.


SOMBRA: Meu vizinho providencia competições clandestinas de jogos de azar no apartamento dele.

REBECA: Que vizinhança... Interessante.

SOMBRA: Melhor não comentar isso nos corredores, no entanto.

Sombra dá uma piscada para ela e sai um minuto da sala.

O sorriso nervoso petrifica o rosto de Rebeca novamente.

REBECA: Falei com o meu contato hoje. A única coisa meio relevante que ele encontrou em Phil Barnes foi sua ficha mais suja que pau de galinheiro.

Sombra volta à sala com dois copos de alguma bebida vermelha não identificada.

Ele entrega o copo a Rebeca, que examina o conteúdo atentamente, intrigada pelo ornamento de coração dentro do drink.


REBECA: Isso não vai me matar, vai?

Ela sorri e pisca para ele.


SOMBRA: Não sei. Acabei de encontrar na minha cozinha.

Ele fala, enquanto Rebeca dá um gole. Ao ouvi-lo, ela engasga. Sombra acha graça.


SOMBRA: Está nervosa, doutora?

REBECA: Não. Por quê?

SOMBRA: Bom, você deu a entender que queria me conhecer melhor.

Os olhos de Sombra parecem penetrar os de Rebeca.

De repente ela começa a sentir um calor incontrolável, talvez por causa da bebida muito forte, talvez por causa de outra coisa...

SOMBRA: Só quero saber se está mesmo preparada.


REBECA: Eu nunca sei se esse seu lado misterioso deveria me fazer sorrir ou realmente ficar preocupada.

Ela se vê acariciando a própria blusa, perto do decote, mas não consegue parar. Por algum motivo.

Sombra se levanta, põe o copo da mesa e tira a camisa bem devagar.


Os risos comemorativos do outro apartamento invadem os ouvidos de Rebeca novamente, dessa vez parecendo ainda mais distantes, mais abafados.

Ele joga a camisa no chão e depois tira lentamente a calça.


Rebeca termina toda a sua bebida em um único gole ansioso.

Ele remove os sapatos e se aproxima de Rebeca.


Agora tira a única parte que restou.


Rebeca sente como se seu corpo estivesse flutuando no teto, olhando para si mesma embaixo.

Sombra a agarra com toda a força e eles se beijam violentamente.


Rebeca escuta um som vibrante cada vez mais firme, mas nada os interrompe.


A vibração aumenta. Incansável.

Rebeca estica a mão para encontrar a origem desse ruído, mas acaba pondo a mão em outra coisa. Vibrando.


Vibrando.


Vibrando.


O celular!

O quê----O quê? - martela na cabeça dela.

Rebeca percebe que o celular continua tocando, se movendo pela cabeceira. Ela finalmente o pega e vê o nome de Sombra no visor.

Instantaneamente sente um calafrio muito forte. Ela olha para o lado e vê Davis dormindo e roncando de cansado.


Ela decide atender na sala.


REBECA: Bem vindo ao Happy Burguer. Posso anotar o seu pedido?

SOMBRA: Nós temos um problema. Me encontre na 3rd com a 26th Street.

REBECA: O que está fazendo na casa de Eugene Dutton?

SOMBRA: Venha rápido.

E ele desliga.


Rebeca entra silenciosamente, utilizando a porta que Sombra deixou convenientemente aberta.

Sombra aparece e gesticula para Rebeca em direção ao escritório da casa. Depois ele percebe o que Rebeca está vestindo.

SOMBRA: Por que está usando isso?


REBECA: Dã! Porque está na moda!

Ela fala como se fosse uma adolescente, depois muda o tom de voz.

REBECA: Não é óbvio?

SOMBRA: Temos outros problemas agora, doutora.

Sombra entra no escritório e Rebeca o segue.


Eles contemplam o homem enforcado no escritório.

REBECA: Esse...

SOMBRA: Sim.

REBECA: Quem? O quê? O que aconteceu? Ele está...


SOMBRA: Asfixia auto erótica.

REBECA: Não!!!

Ela fica pasma.

SOMBRA: Ou pelo menos é o que querem que a polícia pense.

REBECA: Droga, Sombra, essas câmeras... Temos que tirá-las agora! A polícia vai descobrir e se eles rastrearem...

SOMBRA: Sim, mas antes, tenho que te mostrar.

Sombra pega seu tablet e mostra o vídeo da câmera que eles instalaram na casa de Dutton.

Rebeca logo percebe que Dalia fez uma nova vítima.


REBECA: Eu não pensei que ela faria isso tão cedo. Pensei que tínhamos tempo para responder minhas perguntas.

SOMBRA: Doutora, não há nada que pudéssemos ter feito para ajudar Dutton, ele sabia que isso estava em seu caminho.

REBECA: Dane-se Dutton! Eu to puta por causa do meu caso!

Rebeca sai transtornada. Sombra a segue.


SOMBRA: Doutora, não é só isso. Tem mais coisa no vídeo, de hoje à tarde.

REBECA: Mostra.

Ela volta e fica bem perto de Sombra, enquanto ele dá início ao vídeo. Rebeca então percebe o quanto está próxima.

Tinha ficado tão nervosa com a morte de Dutton que se esqueceu do sonho. Agora está tudo a tona de novo.


SOMBRA: Aqui.

O vídeo mostra Dutton fazendo uma reunião com um homem às portas fechadas. De primeiro momento Rebeca não consegue ver seu rosto, pois não aparece na câmera.


E então, bingo! Não demora muito até ela o reconhecer e sentir seu sangue ferver.

REBECA: Kevin Whitmore!