Rebeca se encontra com uma velha amiga da Promotoria, Olivia Baker, no meio da madrugada, para confissões da meia noite.
Com a roupa levemente desarrumada, Rebeca encara Olivia, com o rosto completamente pálido, como se tivesse levado o maior susto da última década.
OLIVIA: Você tá um lixo! O que aconteceu?
REBECA: Jeez, você está flertando comigo?
OLIVIA: O que aconteceu?
Rebeca esfrega suas mãos no rosto.
REBECA: To trabalhando em um caso. Ta sabendo o que aconteceu ano passado?
OLIVIA: Todos estão sabendo. Você é a manchete preferida dos detetives na pausa pro café.
REBECA: Otários...
Olivia dá um meio sorriso.
OLIVIA: Beca, você não me chamou aqui duas e meia da madrugada pra nada, não é?
REBECA: Eu queria rever uma velha amiga e eu sei que você nunca dorme.
OLIVIA: Você me conhece bem...
REBECA: Então, a vida tem te tratado bem?
OLIVIA: Michael e eu nos divorciamos.
REBECA: Ah, ele era um babaca.
OLIVIA: Eu sei, mas eu que devia ter dado um pé na bunda dele. Agora como acha que eu fico quando encontro meus amigos e tenho que contar que aquele asno me largou?
Ela faz uma pausa.
OLIVIA: Isso me fez pensar em vodca com gelo.
Rebeca sorri.
REBECA: Acho que sei como é.
OLIVIA: Eu soube que está morando junto com o Davis.
REBECA: E...?
Rebeca exibe o dedo sem um anel. Olivia revira os olhos o máximo que pode.
OLIVIA: Eu entrego os pontos pra você, comadre, mas olha, casamento é só um contrato. Fique como está que tá ótimo.
REBECA: É o que dizem por aí nas ruas. Onde eu estava enquanto as pessoas decidiam que casamento é coisa dos anos cinquenta?
OLIVIA: Trabalhando.
Rebeca dá um tapa na mesa, fazendo uma expressão parecida com alguém que descobriu algo óbvio.
OLIVIA: Então, Philadelphia me contou que você virou vigilante agora. É verdade?
REBECA: Manda o Philadelphia tomar no cu dele.
OLIVIA: Então deve ser tudo verdade.
REBECA: Eu prefiro o termo justiceira.
OLIVIA: Justiceira?
Olivia dá uma risada arreganhada, fazendo uma careta estranha como quem soltou um peido que estava segurando há sete horas.
OLIVIA: O que é isso? Pornô chanchada?
REBECA: Não avacalha, vai!
OLIVIA: Sério! E você usa o que? Tem um uniforme? Eu posso ver?
Olivia força um entusiasmo teatral.
REBECA: Não tem uniforme!!!
OLIVIA: Olha, eu pagaria uma grana seríssima pra te ver vestida de justiceira...
Olivia solta mais uma de suas gargalhadas bizarras.
REBECA: Olivia, eu preciso de um favor.
OLIVIA: E eu daquela vodca com gelo.
Olivia olha para trás e gesticula para o garçom.
OLIVIA: Urso! Traz o meu especial.
URSO: Já levo princesa!
REBECA: Eu to recolhendo umas provas contra uma grande companhia e quero que você guarde tudo em segredo. E caso algo aconteça comigo, você deve entregar tudo a polícia.
OLIVIA: Você está me assustado. No que você está envolvida exatamente, Rebeca?
Um jazz sensual começa a tocar na cabeça de Rebeca e ela se sente cada vez mais atraída pelo mistério da Frontier.
NATALIE: Eu estou no seu quarto a vinte minutos. Por que não está aqui comigo, papai?
SOMBRA: Onde estava ontem à noite?
NATALIE: Não é da sua conta.
SOMBRA: Isso não vai funcionar.
E ele sai em direção à sala, feito um marido ciumento.
NATALIE: Não seja mulherzinha!
Natalie solta um sorriso infantil e segue os passos de Sombra até a cozinha.
Seus olhos negros acompanham os goles demorados de Sombra em seu álcool matinal.
NATALIE: Perdeu o interesse?
Sombra joga o copo dentro da pia com tanta violência que ele se quebra em vários pedaços.
SOMBRA: Você é o diabo, sabia disso?
Natalie não responde, apenas arqueia a sobrancelha.
SOMBRA: Você foi atrás dele sozinha! Por quê?
NATALIE: Não pude esperar.
SOMBRA: Não me venha com essa. Me conta do que isso realmente se trata!
NATALIE: Jerrod e eu somos velhos conhecidos.
SOMBRA: Claro que são. Você não voltou pelo Torres, voltou? Voltou pelo Jerrod.
Sombra sai da cozinha, em um ritmo frenético, pisando duro no chão. Natalie o segue, imaginando que ele seria capaz de quebrar tudo pelo caminho.
Os ruídos da cidade dão lugar ao diálogo entre eles, como se o lado de fora fosse a plateia e os dois um espetáculo.
NATALIE: Ele é a razão de eu ter voltado sim e eu tenho muito a acertar com o Torres, obviamente, mas eu to cagando pra ele.
SOMBRA: Então eu e você somos um produto da minha imaginação?
NATALIE: Particularmente eu acho que a imaginação é muito superior à realidade.
SOMBRA: Vá se foder, Natalie.
E ele continua pisando duro em direção ao quarto, sua respiração pesada beira ao cômico, quase que como se Natalie pudesse ver a fumacinha vermelha saindo dos ouvidos dele.
NATALIE: Desculpa, mas nós nos conhecemos? Qual é o seu problema? Somos das antigas. Por que tá tendo um fricote?
SOMBRA: Não quero ouvir suas desculpas.
NATALIE: Que bom porque eu não estou me desculpando.
SOMBRA: Some da minha casa!
Sombra joga uma mochila preta no chão, as roupas amassadas de Natalie povoam o zíper mau fechado.
Natalie avança em Sombra, beijando-o o mais forte que pode.
Sombra tenta sair dos braços resistentes dela, mas desiste depois de três segundos, concluindo que vale mais a pena continuar com o que está fazendo.
Ele percorre com os seus lábios molhados pelo caminho do pescoço até a nuca e adora quando ela fica toda arrepiada.
Assim como adora o perfume doce de Natalie.
E a enxurrada de pensamentos pecaminosos que ele traz.
SOMBRA: Você requisitou a minha presença, Vossa Alteza?
REBECA: Fui promovida a Vossa Alteza agora?
Ela sorri.
Sombra se joga na cadeira, se contorcendo depois. Rebeca percebe na hora.
REBECA: Noite difícil?
SOMBRA: Não.
Rebeca respira fundo e faz uma careta confusa.
REBECA: Você passou perfume de mulher?
Sombra sorri feito um adolescente cheio de tesão.
REBECA: Esquece, não quero saber. Eu preciso que investigue umas pistas pra mim. Sobre a Frontier.
SOMBRA: A companhia de água?
REBECA: Sim. Minha intuição diz que eles são sujos.
SOMBRA: To começando a acreditar que você tem uma queda pelos bad boys, doutora.
REBECA: Me reservo no direito de não responder essa pergunta sem meus advogados presentes.
SOMBRA: Do que precisa?
REBECA: Acredito que houve um acobertamento ano passado. Algumas pessoas adoeceram e as descobertas preliminares indicavam que a água da costa estava, supostamente, contaminada.
SOMBRA: Com o que?
REBECA: Não tem resposta. A investigação não chegou a tanto.
SOMBRA: Por que não?
REBECA: E valendo um milhão de dólares a resposta certa é...
SOMBRA: Deixe-me adivinhar, a companhia desapareceu com as evidências, ninguém sabe dessas famílias e a história não teve uma vírgula publicada nos jornais. E provavelmente até distribuiu uma caixinha obesa pras autoridades locais.
REBECA: Exato. E eu só dei a sorte de saber disso por causa do meu cliente. Preciso de você nas trincheiras farejando a sujeira pra mim.
SOMBRA: Então acho que vou dar um pulo na costa. Sabe, você sempre pode aparecer por lá e gritar “quatro e vinte”. Os mendigos adoram.
REBECA: Passo. E na verdade, eu já estou cuidando disso. Um velho conhecido meu fará o serviço. Se tiver alguma coisa naquela água, iremos achar.
Sombra se levanta.
SOMBRA: Ok, Erin Brokovich.
Rebeca entrega um sorriso debochado.
SOMBRA: Só espero que você encontre as respostas desse quiz antes que nós irritemos todas as pessoas erradas de novo.
REBECA: Qual é, você não confia no seu taco?
Sombra se inclina na mesa dela e solta um sorriso malicioso enquanto arqueia uma sobrancelha.
SOMBRA: Ah doutora. Qualquer dia... Qualquer dia...
Rebeca tem um flashback instantâneo sobre a noite em que eles se beijaram. O calor da proximidade, o desejo, aquele tal de beijo na hora errada, o fato dela ter perdido a estreia da nova temporada de Top Chef.
O quê? – ela mesma se interrompe.
Rebeca pisca algumas vezes e percebe que Sombra já saiu.
Ela sente um desconforto com a lembrança daquela noite, como se tivesse transgredido alguma regra.
REBECA: Oh. Droga. EU QUERO UM CIGARRO!!!
Natalie entra em um clube fechado como se tivesse mergulhado num mar cheio de rostos conhecidos.
E antigos inimigos, o que é mais provável.
Torres logo percebe sua presença.
Ele olha em direção a ela, avançando, e pega uma chibata de forma ameaçadora e ensaiada.
NATALIE: Por favor, Sr. Torres, tentarei ser uma boa menina da próxima vez.
Ela simula um sotaque europeu.
Torres joga a chibata no chão e solta um largo sorriso de estremecer os arredores.
TORRES: Os vivos sempre aparecem!
NATALIE: Por um segundo pensei que fosse me agarrar e me fazer sentar no seu colo para umas boas palmadas.
TORRES: Não é o meu estilo.
NATALIE: Não. Sério. Eu adoraria.
TORRES: O produto que você oferece eu não consumo nem de graça, Natalie, querida.
Natalie ri.
NATALIE: Charmoso.
TORRES: Você deve ter um bom às na manga para ter tido coragem de dar as caras aqui.
NATALIE: Ótimo. Pensei que teríamos que fazer aquele joguinho mental antes de ir direto ao ponto.
TORRES: Nunca engane um enganador.
NATALIE: Claro. Vim aqui para barganhar.
TORRES: Não.
Torres faz um gesto com as mãos.
TORRES: Matem-na!
E na mesma hora uns de seus capangas aponta uma arma para Natalie.
NATALIE: Mas eu nem terminei o meu chá.
TORRES: O que você tem e o que quer por isso?
NATALIE: Meu débito com você apagado. À longo prazo.
TORRES: Estou curioso.
Torres faz outro gesto, fazendo com que os capangas se retirem. E todos os outros saem do local da mesma forma.
TORRES: Que tipo de informação você tem pra fazer eu me esquecer do golpe que você deu nos meus clientes?
NATALIE: Por um acaso conhece o nome Rebeca Ericson?
Torres faz uma breve pausa, franze o cenho e depois solta o ar devagarinho dos pulmões.
TORRES: Não.
Ele recolhe a chibata do chão e aponta para ela.
TORRES: Vai me fazer usar isso?
NATALIE: A namoradinha detetive do Sombra.
TORRES: Oh.
Ele joga a chibata no chão de novo.
Depois segue até o balcão, onde se serve de três dedos de uísque.
NATALIE: Mesa para um?
TORRES: Tira os olhos. Uísque importado. Não é pro seu bico.
Depois de Torres virar a bebida quase de uma vez só, Natalie cerra os olhos.
NATALIE: Ela te incomoda, não é?
Ele muda a expressão de repente, usando um tom de seriedade antes desconhecido por Natalie.
Era seguro dizer que essa era uma vantagem mental que ele não gostaria que ela tivesse.
NATALIE: Dada sua história com Sombra, pensei que fosse o caso.
TORRES: Fale de uma vez!
NATALIE: Ela está investigando e colocando um alvo na cabeça de um cliente seu muito precioso.
TORRES: Quão precioso?
NATALIE: Eugene Dutton.
Torres fica surpreso e odeia o fato de que acaba de demonstrar emoção – qualquer que seja – na frente de Natalie.
NATALIE: Pensei que fosse um homem precavido.
TORRES: Droga!
Torres tomba uma mesa com grande violência.
TORRES: Essa puta de novo!
Ele esbraveja.
NATALIE: Acho que posso afirmar que você não gosta muito dela.
TORRES: O que você está me propondo exatamente?
NATALIE: Vou segui-la. Achar umas respostas. Infelizmente eu ainda não sei exatamente o que ela está planejando. Só sei que Sombra quando cola nela fica difícil de descobrir as coisas.
Torres pisca algumas vezes, esfrega a mão na testa e respira fundo.
TORRES: É mais do que isso. Eugene Dutton é apenas uma parte da equação. Olha, senta nessa vaca como se não houvesse o amanhã!
NATALIE: E o que tem pra mim nisso?
TORRES: Você vive. E volta a trabalhar para mim.
NATALIE: Aí está uma oferta interessante.
TORRES: É isso ou nada. Dentro ou fora, decide!
NATALIE: Eu decidi quando voltei para Bridgeport. Entrarei em contato quando descobrir alguma coisa.
Natalie volta em direção à porta de entrada.
TORRES: Natalie, querida...
Quando ela se vira para olhar para Torres, leva um tiro no ombro...
...Fazendo-a se chocar contra a porta com o impacto.
TORRES: Eu sempre quis fazer isso. Peguei a ideia de um compadre da máfia irlandesa. O que achou?
Com a mão no ferimento, Natalie encara Torres por algum tempo, com cara lavada e incrédula.
NATALIE: Essa blusa custou trezentos dólares!
Ela protesta.
Torres põe a careta mais bizarra de seu arsenal: a de tristeza.
As rajadas de vento gelado cortam as ruas perto da costa leste de Bridgeport. A noite parece a máscara perfeita para descobrir onde está o ouro e onde ele está trancado à sete chaves.
Rebeca se aproxima do seu contato.
REBECA: Aqui. Conforme o combinado.
Rebeca entrega um envelope volumoso nas mãos do homem – e embora ele tente se manter introspectivo, sua paranoia é clara como sua pele que parece sulfite.
IVANOVIC: Tem certeza de que não foi seguida?
REBECA: Qual é, Ivanovic, corta o papo furado.
IVANOVIC: O governo tem olhos e ouvidos em todos os cantos, Beca, não é paranoia se é verdade.
Rebeca coça a testa em sinal de impaciência e para abruptamente soltando um sorriso indulgente.
REBECA: Eu não fui seguida. O que tem pra mim debaixo dos panos?
IVANOVIC: Eu coletei uma amostra da água costeira, perto da distribuição da Frontier, mas é pouco provável que irá dar em alguma coisa. Se houve algum problema ano passado, eles devem ter tratado.
REBECA: O que significa que a minha evidência deve estar escondida em algum lugar.
IVANOVIC: Ou no fundo do rio.
Rebeca o encara, esperando os cinco segundos mandatórios pra pessoa perceber o que acabou de falar.
IVANOVIC: Sabe o que eu quis dizer.
Rebeca sorri.
REBECA: Meu cliente deve saber de alguma coisa. Não pode ser total coincidência. Olhe os nomes que eu te passei, certo? Quero saber se estou perdendo alguma coisa.
IVANOVIC: Eles tem ficha na polícia?
REBECA: Não tenho como saber ainda. Mas você pode.
IVANOVIC: Quer que eu...
REBECA: Precisamente.
Ivanovic fica vermelho, depois amarelo e por fim roxo de indignação.
IVANOVIC: Eu não posso invadir o banco de dados da polícia! Ficou maluca?
REBECA: Se alguém pode, é você. Preciso das suas habilidades tecnológicas ou sei lá o que.
IVANOVIC: E se eles acharem que estou afiliado a alguma organização terrorista? Já pensou nisso?
Ela fica em silêncio, esperando os cinco segundos mandatórios fazerem efeito de novo.
Dez segundos e nada.
REBECA: Se é assim, então tenha certeza de que eles não possam te rastrear.
IVANOVIC: Não é mais fácil você pedir um favor pra um de seus colegas detetives?
Ela avança em direção a ele.
REBECA: Ivanovic!
Ele recua alguns centímetros.
IVANOVIC: Está certo, está certo. Cruzes, mulher, você e esse seu temperamento. O governo federal deve ter um dossiê enorme sobre sua vida. Não desconfio que--
REBECA: Ok. Esse é o plano. Me ligue quando conseguir tudo que puder. Algo mais?
IVANOVIC: Bom, eu... Ando meio carente, sozinho...
REBECA: Ugh. Até mais, Ivanovic.
Rebeca ameaça ir embora e depois dá meia volta.
REBECA: Sorria, você está sendo filmado.
IVANOVIC: Onde? Onde?
Ele procura pelas câmeras no mesmo instante, disparando olhares ansiosos para todos os cantos.
Ela se vira novamente para ir embora, enquanto ri, debochando dele.
REBECA: Eu adoro esses nossos encontros. Você é o melhor.
Embaixo das sombras, Rebeca se aproxima do carro e entra no lado passageiro.
REBECA: E você fala que o meu carro é uma lata velha. O que é isso então? Uma carroça, né?
SOMBRA: Doutora...
REBECA: Deixa pra lá. O que conseguiu?
Sombra aponta sua câmera para o prédio do outro lado da rua e tira fotos. Três, quatro, cinco cliques.
SOMBRA: Absolutamente nada! To na cola desse Eugene o dia todo e não aconteceu nada relevante.
REBECA: Duvido que ele vá fazer algo suspeito. Eu preciso entrar na cabeça dele de outra forma.
SOMBRA: É o que eu venho falando, doutora. Plano B?
REBECA: Plano B.
Os dois se enfiam do lado de trás do carro e fuçam numa bolsa, tirando vestimentas escuras e começam a vesti-las.
Eugene segue até a porta para atendê-la.
EUGENE: Quem é?
REBECA: Polícia.
Ele espia pelo olho mágico e vê um distintivo cobrindo todo o campo de visão. Quando abre a porta, Eugene é forçado para dentro por Rebeca e Sombra.
Ele tropeça e cai para trás em pânico.
EUGENE: Não, por favor!
Rebeca fecha a porta com tudo enquanto Sombra segura Eugene no chão na ponta de sua arma.
Ela chega perto de Eugene e o soca.
SOMBRA: Quem te viu, quem te vê, doutora.
REBECA: Eu tenho meus pontos altos.
Rebeca se aproxima de Eugene e o sacode.
SOMBRA: Deu certo?
REBECA: Sim. Eu acho que ele apagou.
SOMBRA: Acha que ele vale mesmo a pena?
REBECA: Se Phil Barnes valeu a queima de arquivo, esse também deve valer. E quero saber o por que.
SOMBRA: E você tem certeza de que ele não vai chamar a polícia pra investigar a invasão?
REBECA: Esse cara deve estar coberto de lama até o pescoço. Duvido que ele chame a polícia.
SOMBRA: Então vamos trabalhar.
Rebeca perambula impaciente pelo escritório enquanto ele mexe em umas configurações no notebook.
REBECA: Que coisa demorada! Estou perdendo o Top Chef!
SOMBRA: Não me apressa, caralho!
E as memórias do beijo voltam novamente para assombrar os pensamentos mais ocultos que habitam em Rebeca.
Instintivamente, Rebeca passa a mão em sua camisa na tentativa de afrouxá-la um pouco.
De novo isso? - ela desanima.
REBECA: Agora eu REALMENTE preciso de um cigarro...
Ela sai à caça do seu maço escondido de marlboro light.
SOMBRA: Pronto!
Rebeca acende seu cigarro e se aproxima da tela do notebook.
SOMBRA: Cobertura vinte e quatro horas da vida de Eugene Dutton.
As câmeras que eles esconderam na casa de Dutton ganham vida na tela do computador. Os olhos de Rebeca brilham.
SOMBRA: Pra que ver outro reality se você pode produzir um?
Rebeca sorri e solta toda a fumaça que estava ansiosamente guardada em seus pulmões marcados pela abstinência.
REBECA: Estou vendo. Que beleza...
SOMBRA: Não sei se valeu a pena o risco, no entanto. Podíamos simplesmente ter esperado ele sair de casa pra colocar as câmeras.
Rebeca olha para Sombra de forma debochada.
REBECA: É? E que graça teria nisso?
Sombra sorri, se divertindo com a nova faceta de Rebeca.
SOMBRA: Ah! Isso me lembra... O que houve depois que você invadiu o escritório do apartamento de Barnes ontem?
O homem desacordado desperta do seu sono de beleza lentamente, ele tenta se levantar, mas antes é surpreendido pela presença de um policial.
POLICIAL: Olá boneca. Gosta de invadir propriedade particular?
Só nesse momento o homem percebe que está usando um vestido.
POLICIAL: E olha o que temos aqui...
O policial pega um saco do chão com várias embalagens minúsculas com um conteúdo que parece com o de cocaína.
POLICIAL: Mas não se preocupe. Tenho certeza de que todo mundo na cadeia vai te amar nesse vestidinho!