2ª Temporada - Episódio 3 - Dirty People, Dirty Water


Rebeca se encontra com uma velha amiga da Promotoria, Olivia Baker, no meio da madrugada, para confissões da meia noite.

Com a roupa levemente desarrumada, Rebeca encara Olivia, com o rosto completamente pálido, como se tivesse levado o maior susto da última década.

OLIVIA: Você tá um lixo! O que aconteceu?


REBECA: Jeez, você está flertando comigo?

OLIVIA: O que aconteceu?

Rebeca esfrega suas mãos no rosto.

REBECA: To trabalhando em um caso. Ta sabendo o que aconteceu ano passado?

OLIVIA: Todos estão sabendo. Você é a manchete preferida dos detetives na pausa pro café.

REBECA: Otários...

Olivia dá um meio sorriso.


OLIVIA: Beca, você não me chamou aqui duas e meia da madrugada pra nada, não é?

REBECA: Eu queria rever uma velha amiga e eu sei que você nunca dorme.

OLIVIA: Você me conhece bem...

REBECA: Então, a vida tem te tratado bem?

OLIVIA: Michael e eu nos divorciamos.

REBECA: Ah, ele era um babaca.

OLIVIA: Eu sei, mas eu que devia ter dado um pé na bunda dele. Agora como acha que eu fico quando encontro meus amigos e tenho que contar que aquele asno me largou?


Ela faz uma pausa.

OLIVIA: Isso me fez pensar em vodca com gelo.

Rebeca sorri.

REBECA: Acho que sei como é.

OLIVIA: Eu soube que está morando junto com o Davis.

REBECA: E...?

Rebeca exibe o dedo sem um anel. Olivia revira os olhos o máximo que pode.


OLIVIA: Eu entrego os pontos pra você, comadre, mas olha, casamento é só um contrato. Fique como está que tá ótimo.

REBECA: É o que dizem por aí nas ruas. Onde eu estava enquanto as pessoas decidiam que casamento é coisa dos anos cinquenta?

OLIVIA: Trabalhando.


Rebeca dá um tapa na mesa, fazendo uma expressão parecida com alguém que descobriu algo óbvio.

OLIVIA: Então, Philadelphia me contou que você virou vigilante agora. É verdade?

REBECA: Manda o Philadelphia tomar no cu dele.

OLIVIA: Então deve ser tudo verdade.

REBECA: Eu prefiro o termo justiceira.

OLIVIA: Justiceira?

Olivia dá uma risada arreganhada, fazendo uma careta estranha como quem soltou um peido que estava segurando há sete horas.


OLIVIA: O que é isso? Pornô chanchada?

REBECA: Não avacalha, vai!

OLIVIA: Sério! E você usa o que? Tem um uniforme? Eu posso ver?

Olivia força um entusiasmo teatral.

REBECA: Não tem uniforme!!!

OLIVIA: Olha, eu pagaria uma grana seríssima pra te ver vestida de justiceira...

Olivia solta mais uma de suas gargalhadas bizarras.

REBECA: Olivia, eu preciso de um favor.

OLIVIA: E eu daquela vodca com gelo.

Olivia olha para trás e gesticula para o garçom.

OLIVIA: Urso! Traz o meu especial.


URSO: Já levo princesa!


REBECA: Eu to recolhendo umas provas contra uma grande companhia e quero que você guarde tudo em segredo. E caso algo aconteça comigo, você deve entregar tudo a polícia.

OLIVIA: Você está me assustado. No que você está envolvida exatamente, Rebeca?


Um jazz sensual começa a tocar na cabeça de Rebeca e ela se sente cada vez mais atraída pelo mistério da Frontier.


NATALIE: Eu estou no seu quarto a vinte minutos. Por que não está aqui comigo, papai?

SOMBRA: Onde estava ontem à noite?

NATALIE: Não é da sua conta.

SOMBRA: Isso não vai funcionar.

E ele sai em direção à sala, feito um marido ciumento.


NATALIE: Não seja mulherzinha!

Natalie solta um sorriso infantil e segue os passos de Sombra até a cozinha.


Seus olhos negros acompanham os goles demorados de Sombra em seu álcool matinal.

NATALIE: Perdeu o interesse?

Sombra joga o copo dentro da pia com tanta violência que ele se quebra em vários pedaços.


SOMBRA: Você é o diabo, sabia disso?


Natalie não responde, apenas arqueia a sobrancelha.

SOMBRA: Você foi atrás dele sozinha! Por quê?

NATALIE: Não pude esperar.

SOMBRA: Não me venha com essa. Me conta do que isso realmente se trata!

NATALIE: Jerrod e eu somos velhos conhecidos.

SOMBRA: Claro que são. Você não voltou pelo Torres, voltou? Voltou pelo Jerrod.


Sombra sai da cozinha, em um ritmo frenético, pisando duro no chão. Natalie o segue, imaginando que ele seria capaz de quebrar tudo pelo caminho.

Os ruídos da cidade dão lugar ao diálogo entre eles, como se o lado de fora fosse a plateia e os dois um espetáculo.

NATALIE: Ele é a razão de eu ter voltado sim e eu tenho muito a acertar com o Torres, obviamente, mas eu to cagando pra ele.

SOMBRA: Então eu e você somos um produto da minha imaginação?

NATALIE: Particularmente eu acho que a imaginação é muito superior à realidade.

SOMBRA: Vá se foder, Natalie.


E ele continua pisando duro em direção ao quarto, sua respiração pesada beira ao cômico, quase que como se Natalie pudesse ver a fumacinha vermelha saindo dos ouvidos dele.

NATALIE: Desculpa, mas nós nos conhecemos? Qual é o seu problema? Somos das antigas. Por que tá tendo um fricote?

SOMBRA: Não quero ouvir suas desculpas.

NATALIE: Que bom porque eu não estou me desculpando.

SOMBRA: Some da minha casa!

Sombra joga uma mochila preta no chão, as roupas amassadas de Natalie povoam o zíper mau fechado.


Natalie avança em Sombra, beijando-o o mais forte que pode.

Sombra tenta sair dos braços resistentes dela, mas desiste depois de três segundos, concluindo que vale mais a pena continuar com o que está fazendo.


Ele percorre com os seus lábios molhados pelo caminho do pescoço até a nuca e adora quando ela fica toda arrepiada.

Assim como adora o perfume doce de Natalie.

E a enxurrada de pensamentos pecaminosos que ele traz.


SOMBRA: Você requisitou a minha presença, Vossa Alteza?

REBECA: Fui promovida a Vossa Alteza agora?

Ela sorri.

Sombra se joga na cadeira, se contorcendo depois. Rebeca percebe na hora.

REBECA: Noite difícil?

SOMBRA: Não.


Rebeca respira fundo e faz uma careta confusa.

REBECA: Você passou perfume de mulher?

Sombra sorri feito um adolescente cheio de tesão.

REBECA: Esquece, não quero saber. Eu preciso que investigue umas pistas pra mim. Sobre a Frontier.

SOMBRA: A companhia de água?

REBECA: Sim. Minha intuição diz que eles são sujos.


SOMBRA: To começando a acreditar que você tem uma queda pelos bad boys, doutora.

REBECA: Me reservo no direito de não responder essa pergunta sem meus advogados presentes.

SOMBRA: Do que precisa?

REBECA: Acredito que houve um acobertamento ano passado. Algumas pessoas adoeceram e as descobertas preliminares indicavam que a água da costa estava, supostamente, contaminada.

SOMBRA: Com o que?

REBECA: Não tem resposta. A investigação não chegou a tanto.

SOMBRA: Por que não?


REBECA: E valendo um milhão de dólares a resposta certa é...

SOMBRA: Deixe-me adivinhar, a companhia desapareceu com as evidências, ninguém sabe dessas famílias e a história não teve uma vírgula publicada nos jornais. E provavelmente até distribuiu uma caixinha obesa pras autoridades locais.

REBECA: Exato. E eu só dei a sorte de saber disso por causa do meu cliente. Preciso de você nas trincheiras farejando a sujeira pra mim.

SOMBRA: Então acho que vou dar um pulo na costa. Sabe, você sempre pode aparecer por lá e gritar “quatro e vinte”. Os mendigos adoram.

REBECA: Passo. E na verdade, eu já estou cuidando disso. Um velho conhecido meu fará o serviço. Se tiver alguma coisa naquela água, iremos achar.

Sombra se levanta.


SOMBRA: Ok, Erin Brokovich.

Rebeca entrega um sorriso debochado.

SOMBRA: Só espero que você encontre as respostas desse quiz antes que nós irritemos todas as pessoas erradas de novo.


REBECA: Qual é, você não confia no seu taco?

Sombra se inclina na mesa dela e solta um sorriso malicioso enquanto arqueia uma sobrancelha.


SOMBRA: Ah doutora. Qualquer dia... Qualquer dia...


Rebeca tem um flashback instantâneo sobre a noite em que eles se beijaram. O calor da proximidade, o desejo, aquele tal de beijo na hora errada, o fato dela ter perdido a estreia da nova temporada de Top Chef.

O quê? – ela mesma se interrompe.

Rebeca pisca algumas vezes e percebe que Sombra já saiu.


Ela sente um desconforto com a lembrança daquela noite, como se tivesse transgredido alguma regra.

REBECA: Oh. Droga. EU QUERO UM CIGARRO!!!


Natalie entra em um clube fechado como se tivesse mergulhado num mar cheio de rostos conhecidos.

E antigos inimigos, o que é mais provável.

Torres logo percebe sua presença.


Ele olha em direção a ela, avançando, e pega uma chibata de forma ameaçadora e ensaiada.

NATALIE: Por favor, Sr. Torres, tentarei ser uma boa menina da próxima vez.

Ela simula um sotaque europeu.


Torres joga a chibata no chão e solta um largo sorriso de estremecer os arredores.

TORRES: Os vivos sempre aparecem!

NATALIE: Por um segundo pensei que fosse me agarrar e me fazer sentar no seu colo para umas boas palmadas.

TORRES: Não é o meu estilo.

NATALIE: Não. Sério. Eu adoraria.

TORRES: O produto que você oferece eu não consumo nem de graça, Natalie, querida.

Natalie ri.


NATALIE: Charmoso.

TORRES: Você deve ter um bom às na manga para ter tido coragem de dar as caras aqui.

NATALIE: Ótimo. Pensei que teríamos que fazer aquele joguinho mental antes de ir direto ao ponto.

TORRES: Nunca engane um enganador.

NATALIE: Claro. Vim aqui para barganhar.

TORRES: Não.

Torres faz um gesto com as mãos.

TORRES: Matem-na!

E na mesma hora uns de seus capangas aponta uma arma para Natalie.


NATALIE: Mas eu nem terminei o meu chá.

TORRES: O que você tem e o que quer por isso?

NATALIE: Meu débito com você apagado. À longo prazo.

TORRES: Estou curioso.

Torres faz outro gesto, fazendo com que os capangas se retirem. E todos os outros saem do local da mesma forma.


TORRES: Que tipo de informação você tem pra fazer eu me esquecer do golpe que você deu nos meus clientes?

NATALIE: Por um acaso conhece o nome Rebeca Ericson?

Torres faz uma breve pausa, franze o cenho e depois solta o ar devagarinho dos pulmões.

TORRES: Não.

Ele recolhe a chibata do chão e aponta para ela.


TORRES: Vai me fazer usar isso?

NATALIE: A namoradinha detetive do Sombra.

TORRES: Oh.

Ele joga a chibata no chão de novo.

Depois segue até o balcão, onde se serve de três dedos de uísque.


NATALIE: Mesa para um?

TORRES: Tira os olhos. Uísque importado. Não é pro seu bico.

Depois de Torres virar a bebida quase de uma vez só, Natalie cerra os olhos.

NATALIE: Ela te incomoda, não é?


Ele muda a expressão de repente, usando um tom de seriedade antes desconhecido por Natalie.

Era seguro dizer que essa era uma vantagem mental que ele não gostaria que ela tivesse.

NATALIE: Dada sua história com Sombra, pensei que fosse o caso.

TORRES: Fale de uma vez!


NATALIE: Ela está investigando e colocando um alvo na cabeça de um cliente seu muito precioso.

TORRES: Quão precioso?

NATALIE: Eugene Dutton.

Torres fica surpreso e odeia o fato de que acaba de demonstrar emoção – qualquer que seja – na frente de Natalie.

NATALIE: Pensei que fosse um homem precavido.

TORRES: Droga!

Torres tomba uma mesa com grande violência.


TORRES: Essa puta de novo!

Ele esbraveja.

NATALIE: Acho que posso afirmar que você não gosta muito dela.

TORRES: O que você está me propondo exatamente?

NATALIE: Vou segui-la. Achar umas respostas. Infelizmente eu ainda não sei exatamente o que ela está planejando. Só sei que Sombra quando cola nela fica difícil de descobrir as coisas.


Torres pisca algumas vezes, esfrega a mão na testa e respira fundo.

TORRES: É mais do que isso. Eugene Dutton é apenas uma parte da equação. Olha, senta nessa vaca como se não houvesse o amanhã!

NATALIE: E o que tem pra mim nisso?

TORRES: Você vive. E volta a trabalhar para mim.

NATALIE: Aí está uma oferta interessante.

TORRES: É isso ou nada. Dentro ou fora, decide!

NATALIE: Eu decidi quando voltei para Bridgeport. Entrarei em contato quando descobrir alguma coisa.

Natalie volta em direção à porta de entrada.


TORRES: Natalie, querida...

Quando ela se vira para olhar para Torres, leva um tiro no ombro...


...Fazendo-a se chocar contra a porta com o impacto.


TORRES: Eu sempre quis fazer isso. Peguei a ideia de um compadre da máfia irlandesa. O que achou?


Com a mão no ferimento, Natalie encara Torres por algum tempo, com cara lavada e incrédula.

NATALIE: Essa blusa custou trezentos dólares!

Ela protesta.


Torres põe a careta mais bizarra de seu arsenal: a de tristeza.


As rajadas de vento gelado cortam as ruas perto da costa leste de Bridgeport. A noite parece a máscara perfeita para descobrir onde está o ouro e onde ele está trancado à sete chaves.

Rebeca se aproxima do seu contato.

REBECA: Aqui. Conforme o combinado.

Rebeca entrega um envelope volumoso nas mãos do homem – e embora ele tente se manter introspectivo, sua paranoia é clara como sua pele que parece sulfite.


IVANOVIC: Tem certeza de que não foi seguida?

REBECA: Qual é, Ivanovic, corta o papo furado.

IVANOVIC: O governo tem olhos e ouvidos em todos os cantos, Beca, não é paranoia se é verdade.

Rebeca coça a testa em sinal de impaciência e para abruptamente soltando um sorriso indulgente.

REBECA: Eu não fui seguida. O que tem pra mim debaixo dos panos?


IVANOVIC: Eu coletei uma amostra da água costeira, perto da distribuição da Frontier, mas é pouco provável que irá dar em alguma coisa. Se houve algum problema ano passado, eles devem ter tratado.

REBECA: O que significa que a minha evidência deve estar escondida em algum lugar.

IVANOVIC: Ou no fundo do rio.


Rebeca o encara, esperando os cinco segundos mandatórios pra pessoa perceber o que acabou de falar.

IVANOVIC: Sabe o que eu quis dizer.

Rebeca sorri.

REBECA: Meu cliente deve saber de alguma coisa. Não pode ser total coincidência. Olhe os nomes que eu te passei, certo? Quero saber se estou perdendo alguma coisa.


IVANOVIC: Eles tem ficha na polícia?

REBECA: Não tenho como saber ainda. Mas você pode.

IVANOVIC: Quer que eu...

REBECA: Precisamente.

Ivanovic fica vermelho, depois amarelo e por fim roxo de indignação.

IVANOVIC: Eu não posso invadir o banco de dados da polícia! Ficou maluca?


REBECA: Se alguém pode, é você. Preciso das suas habilidades tecnológicas ou sei lá o que.

IVANOVIC: E se eles acharem que estou afiliado a alguma organização terrorista? Já pensou nisso?

Ela fica em silêncio, esperando os cinco segundos mandatórios fazerem efeito de novo.

Dez segundos e nada.

REBECA: Se é assim, então tenha certeza de que eles não possam te rastrear.


IVANOVIC: Não é mais fácil você pedir um favor pra um de seus colegas detetives?

Ela avança em direção a ele.


REBECA: Ivanovic!

Ele recua alguns centímetros.


IVANOVIC: Está certo, está certo. Cruzes, mulher, você e esse seu temperamento. O governo federal deve ter um dossiê enorme sobre sua vida. Não desconfio que--

REBECA: Ok. Esse é o plano. Me ligue quando conseguir tudo que puder. Algo mais?


IVANOVIC: Bom, eu... Ando meio carente, sozinho...

REBECA: Ugh. Até mais, Ivanovic.

Rebeca ameaça ir embora e depois dá meia volta.

REBECA: Sorria, você está sendo filmado.

IVANOVIC: Onde? Onde?

Ele procura pelas câmeras no mesmo instante, disparando olhares ansiosos para todos os cantos.


Ela se vira novamente para ir embora, enquanto ri, debochando dele.

REBECA: Eu adoro esses nossos encontros. Você é o melhor.


Embaixo das sombras, Rebeca se aproxima do carro e entra no lado passageiro.


REBECA: E você fala que o meu carro é uma lata velha. O que é isso então? Uma carroça, né?

SOMBRA: Doutora...

REBECA: Deixa pra lá. O que conseguiu?

Sombra aponta sua câmera para o prédio do outro lado da rua e tira fotos. Três, quatro, cinco cliques.

SOMBRA: Absolutamente nada! To na cola desse Eugene o dia todo e não aconteceu nada relevante.

REBECA: Duvido que ele vá fazer algo suspeito. Eu preciso entrar na cabeça dele de outra forma.

SOMBRA: É o que eu venho falando, doutora. Plano B?

REBECA: Plano B.

Os dois se enfiam do lado de trás do carro e fuçam numa bolsa, tirando vestimentas escuras e começam a vesti-las.


Eugene segue até a porta para atendê-la.

EUGENE: Quem é?

REBECA: Polícia.

Ele espia pelo olho mágico e vê um distintivo cobrindo todo o campo de visão. Quando abre a porta, Eugene é forçado para dentro por Rebeca e Sombra.

Ele tropeça e cai para trás em pânico.


EUGENE: Não, por favor!

Rebeca fecha a porta com tudo enquanto Sombra segura Eugene no chão na ponta de sua arma.


Ela chega perto de Eugene e o soca.

SOMBRA: Quem te viu, quem te vê, doutora.

REBECA: Eu tenho meus pontos altos.

Rebeca se aproxima de Eugene e o sacode.

SOMBRA: Deu certo?

REBECA: Sim. Eu acho que ele apagou.


SOMBRA: Acha que ele vale mesmo a pena?

REBECA: Se Phil Barnes valeu a queima de arquivo, esse também deve valer. E quero saber o por que.

SOMBRA: E você tem certeza de que ele não vai chamar a polícia pra investigar a invasão?

REBECA: Esse cara deve estar coberto de lama até o pescoço. Duvido que ele chame a polícia.

SOMBRA: Então vamos trabalhar.


Rebeca perambula impaciente pelo escritório enquanto ele mexe em umas configurações no notebook.

REBECA: Que coisa demorada! Estou perdendo o Top Chef!

SOMBRA: Não me apressa, caralho!

E as memórias do beijo voltam novamente para assombrar os pensamentos mais ocultos que habitam em Rebeca.


Instintivamente, Rebeca passa a mão em sua camisa na tentativa de afrouxá-la um pouco.

De novo isso? - ela desanima.

REBECA: Agora eu REALMENTE preciso de um cigarro...

Ela sai à caça do seu maço escondido de marlboro light.

SOMBRA: Pronto!

Rebeca acende seu cigarro e se aproxima da tela do notebook.


SOMBRA: Cobertura vinte e quatro horas da vida de Eugene Dutton.

As câmeras que eles esconderam na casa de Dutton ganham vida na tela do computador. Os olhos de Rebeca brilham.

SOMBRA: Pra que ver outro reality se você pode produzir um?


Rebeca sorri e solta toda a fumaça que estava ansiosamente guardada em seus pulmões marcados pela abstinência.

REBECA: Estou vendo. Que beleza...

SOMBRA: Não sei se valeu a pena o risco, no entanto. Podíamos simplesmente ter esperado ele sair de casa pra colocar as câmeras.

Rebeca olha para Sombra de forma debochada.

REBECA: É? E que graça teria nisso?

Sombra sorri, se divertindo com a nova faceta de Rebeca.


SOMBRA: Ah! Isso me lembra... O que houve depois que você invadiu o escritório do apartamento de Barnes ontem?


O homem desacordado desperta do seu sono de beleza lentamente, ele tenta se levantar, mas antes é surpreendido pela presença de um policial.


POLICIAL: Olá boneca. Gosta de invadir propriedade particular?


Só nesse momento o homem percebe que está usando um vestido.

POLICIAL: E olha o que temos aqui...

O policial pega um saco do chão com várias embalagens minúsculas com um conteúdo que parece com o de cocaína.


POLICIAL: Mas não se preocupe. Tenho certeza de que todo mundo na cadeia vai te amar nesse vestidinho!