2ª Temporada - Episódio 2 - Hunting


Rebeca procura em seu computador por alguma pista sobre os alvos de Dalia.

Sem a ajuda de Tyson, eu vou ter que me virar – ela lembra.

REBECA: Se eu conseguir encontrar algum link entre Phil Barnes e Eugene Dutton...


Nos fundos de seus arquivos antigos e e-mails ilegais entre ela e colegas da polícia, Rebeca procura traços financeiros. São sempre muito importantes. Com caras como esses, o dinheiro contará toda a história.

Ela se concentra na leitura, sentindo o latejar cada vez mais frequentemente da abstinência de nicotina em seu corpo.


Isso é bobagem. Se for light, é light. Por que a indústria tabagista iria mentir? – ela tenta racionalizar, nos fundos do cérebro, logo de esquina com o sarcasmo.

REBECA: Puta que pariu!

Ela fecha o punho direito e bate com tudo na mesa.


Rebeca sorri, orgulhosa de si mesma, consciente de que o dinheiro nunca mente.

REBECA: Frontier. Frontier. Frontier.

Repete como um papagaio.


REBECA: Já ouvi esse nome antes. Espere! A companhia de água? Sim. É isso. Eu sou um talento!

Registros afirmam que Phil Barnes e Eugene Dutton foram, no passado, associados à gigante Frontier – saneamento e distribuição de água localizada na costa leste de Bridgeport.


REBECA: Peguei vocês no flagra! Essa conexão não pode ser coincidência. Aposto todas as minhas perucas que isso está relacionado.

No abre e fecha de arquivos, Rebeca congela. Inclina a cabeça para cima e recebe uma informação mental de que seu próprio cliente já trabalhou na Frontier.

Ela ri e procura seu maço de cigarros de novo. Não o acha. Ela fica descontente, abre as gavetas, fuça na bagunça e nada.

REBECA: Oh. Certo.

E fecha os olhos, sentindo uma raiva irracional.

REBECA: Se meu cliente está envolvido, eu preciso saber como, mas sem perguntar a ele.


Rebeca se levanta e corre até a saída, imaginando a luz branca cinematográfica que estará atrás da porta, à espera por mais uma investigação policial.


Sombra e Natalie percorrem o estacionamento escuro, a procura de um estranho conhecido.


Eles chegam até um local regado a carros tunados, moças de igreja e rapazes pregando os bons costumes.


SOMBRA: Tem certeza de que ele está aqui?

NATALIE: Não sei. Mas pensei que fosse um ótimo lugar pra começar a procurar.

SOMBRA: Ele sumiu mesmo depois de dizer que não iria me deixar em paz.

NATALIE: Você conhece o Jerrod. Ele fica entediado muito facilmente. Todo mundo é a presa e ele é o grande predador.

Ela rola os olhos pra trás de forma exagerada.

SOMBRA: O que tem de bom pra você nisso?

NATALIE: O quê?

SOMBRA: Por que se interessa no que acontece com ele?

NATALIE: Ele é um velho amigo.

SOMBRA: Lembre-me de nunca ser seu amigo.

Natalie sorri.


Eles se aproximam de uma pequena multidão, e um tipo mau caráter se destaca aos olhos de Natalie.

Deve ser esse.

Sabia. Minha habilidade com rostos sempre foi a maldição daqueles que cruzaram meu caminho. – ela escarneia mentalmente, como se fosse uma vilã de uma péssima novela mexicana.

E sorri por instinto.


O alvo percebe Natalie caminhando até ele e parece travar no lugar, pensando em como escapar. Ou como desencarnar no chão para não ter que falar com ela.

Sombra faz questão de acompanhar os olhos da multidão perdida para garantir que não há conhecidos demais ali.


Natalie se aproxima mais. O homem faz cara de quem quer correr para o mais longe possível.

NATALIE: Meu querido...

Ela fala como se tivesse reencontrado um parente distante.


HOMEM: Eu não to procurando confusão, Nelly. Você sabe que eu já paguei aquela dívida.

NATALIE: Você é sempre tão charmoso... Começa logo pelo dinheiro. Não vim aqui pra fazer negócios com você, bebê.

HOMEM: Olha, eu to sem tempo.


Ela se aproxima com muita rapidez e o pega pelas bolas. Literalmente.

O homem faz uma careta distorcida como se tivesse levado um tiro.

No saco.


NATALIE: To procurando uma pessoa. E você sabe onde achá-lo.

HOMEM: Eu não quero me envolver no que seja que está envolvida.

Ele fala pausadamente e com muita agonia na voz.

NATALIE: Já disse que não estou negociando!

E ela aperta mais forte, os olhos do rapaz se deslocam para frente, arregalados. As pessoas da multidão começam a reparar no que esta se passando.

Sombra dá alguns passos para frente, só para ter certeza.


O homem soa frio, ele pensou que nunca veria aqueles olhos negros de Natalie novamente. Aquela confiança assustadora... E manipuladora.

NATALIE: Você me da o que eu quero...

Natalie afrouxa a mão, parando de apertar as belezinhas do moçoilo.

NATALIE: E eu te dou o que você quer.

E acaricia as partes.


Sombra tenta esconder um sorriso. E a pontada de inveja do cara.

HOMEM: Eu... Eu... Eu...

Ele gagueja.

NATALIE: Calma, eu nem comecei ainda.


Ela se afasta e um segundo depois decide estourar o nariz do homem, segurando-o com a mão.


Ele cai de joelhos, se rendendo, e Natalie segura o nariz dele com mais força.


O sangue escorre na sua mão e ele solta um ruído animalesco.

Natalie chuta seu estômago.

NATALIE: Vou perguntar apenas uma vez. Onde. Está. Jerrod?

O homem fica sem forças e desiste. Ele pensa que é melhor fazer o que Natalie manda antes que ela tire um canivete do bolso.

Ou algo parecido.


Ele fala alguma coisa inaudível a Sombra.

NATALIE: Bom menino.

Ele resmunga, enquanto se contorce no chão. Natalie dá as costas.

HOMEM: Sapatona do cacete!


Enquanto Natalie vai embora, ela sorri ao ouvi-lo.

NATALIE: Uma vez. No final dos anos noventa.

E o homem continua no chão, com uma expressão de dor no rosto como se ela tivesse levado as bolas dele embora.


Kevin anda de um lado para o outro, agoniado, como se estivesse preso dentro de uma gaiola invisível.

KEVIN: Você está dizendo que...

REBECA: E--Eu não disse quase nada. Leu minhas anotações?

KEVIN: Honestamente? Não consegui. Parei nas fotos, meu estômago ficou...


Ele para e põe a mão no estômago para sinalizar que está doendo. E quase saltando para fora.

KEVIN: Azia desgraçada!

REBECA: Você está bem?

KEVIN: To. Eu só preciso dar um cagão.


Ugh! – a interjeição se materializa na cabeça de Rebeca.

KEVIN: Vai, fala toda a verdade. Eu aguento!

REBECA: Eu não sei TODA a verdade. Eu só sei que alguns fatos me levam a crer que sua esposa é uma profissional. E não do tipo bom.

KEVIN: Que brincadeira é essa?

REBECA: Eu tenho razões para acreditar que ela é uma assassina de aluguel, Sr. Whitmore.


Ele demora algum tempo para processar a novidade, fazendo cara de quem acabou de perder as chaves do carro.

REBECA: Tem certeza de que está bem?

Se esse cara vomitar na minha blusa nova, eu juro... - Rebeca pensa.

KEVIN: Eu--Eu to ótimo. Obrigado.

E solta um sorriso amarelo.


REBECA: ...Os homens que ela estava saindo eram alvos. E sinceramente temo pela segurança do outro.

KEVIN: Deixe-a.

REBECA: O quê?

KEVIN: Deixe-a. Você me escutou, loirinha. Quero ver até onde isso vai.

REBECA: Acho que não ouviu a parte em que eu disse...

KEVIN: Eu ouvi tudo perfeitamente.

Kevin coloca um sorriso estranho no rosto.

REBECA: Se eu não disser nada ele pode morrer.




KEVIN: Foda-se!

Ele solta um berro.

KEVIN: E quanto a mim? Por que acha que ela está casada comigo?

Rebeca não fica surpresa com a pergunta de Kevin e ele analisa o rosto dela para tentar entender o por quê.

REBECA: Não tive motivos pra desconfiar. Ou há algo que deseja compartilhar comigo?

É AGORA, CARALHO! É AGORA! - Rebeca pensa.

Kevin redireciona seu foco para o outro lado, preocupado com a pergunta de Rebeca.

KEVIN: Você é a detetive.


Oh. - Ela desanima.

Rebeca nota um tom de disfarce na voz de Kevin. Ele definitivamente esconde alguma coisa por debaixo dos panos, mas não é a melhor hora de fazer perguntas sobre a Frontier.

É mais esperto descobrir as respostas antes de fazer as perguntas.

KEVIN: Eu preciso saber se eu também sou um alvo.

ISSO! Timing perfeito. Posso perguntar sem parecer suspeita. – Rebeca pensa.

REBECA: E por que o Sr. seria um alvo?

Kevin leva um tempo pra entender a pergunta de Rebeca.

KEVIN: É--É o que ela faz da vida, não é? Matar por contrato? E se eu for um alvo? Eu prefiro prevenir a remediar, detetive Ericson.

Kevin chama Rebeca pelo sobrenome em forma de escárnio e isso fere um pouco o orgulho dela.

REBECA: Você é quem manda.

Dura. Seca.

REBECA: Eu entro em contato.


E Rebeca sai, respirando fundo, sem se importar com o vento cortante de tão gelado em seus pulmões.


DAVIS: Você tinha razão.

REBECA: Tenho razão sobre um par de coisas, mas a que se refere?

Davis cerra os olhos, desdenhando da confiança de Rebeca.

DAVIS: Sobre Dalia.

REBECA: Cuidado agora. Eu não falei nada a você sobre o meu caso. Tenho privilégio de privacidade com meu cliente.

DAVIS: Meu ovo que você tem.

REBECA: Na minha casa eu tenho. E você concordou em respeitar minhas regras. Lembra?

DAVIS: Aquilo foi na cama. Você me pegou com as calças arriadas.

Ela faz uma careta.

DAVIS: Você me entendeu.


Ele pensa um pouco e desiste.

DAVIS: Está certo, está certo. Eu não sei de nada.

REBECA: Olha lá o que vai falar pro Capitão. Não quero problema com o BPD nesse caso.

DAVIS: Te garanto que não vai ter problema. Mas aqui entre nós, oficiais da lei...

Rebeca sorri quando Davis fala isso.


DAVIS: Um passarinho sem papas na língua me contou que foi um assassinato profissional.

REBECA: Toc. Toc. Quem está aí? O Sr. Óbvio.

DAVIS: Me ouve, pomba! Ou não ta interessada na balística?

REBECA: Não me faça pular na mesa!

Ela sorri, enquanto larga o garfo.

DAVIS: O resultado do laboratório é que foi usada uma arma de 9mm.

REBECA: 9mm?

DAVIS: Provavelmente uma Beretta. E um silenciador de brinde.


Rebeca se esquece da comida e se levanta para perambular pela cozinha.

REBECA: Tem mais alguma coisa?

DAVIS: Não. E nem a polícia tem muita evidência nesse momento. Essa mulher é profissional. Não deixou muito com o que trabalharmos. Vai ser um caso difícil de fechar.

REBECA: O problema é de vocês. Você não ouviu nada de mim. Nunca tivemos essa conversa.

DAVIS: Acalme-se, convencida. Não é como se fôssemos ser intimados para o Grande Júri também.

REBECA: É que eu adoro te ver nervosinho, isso é tudo.

DAVIS: E eu não sei?


Davis solta um sorriso largo e sedutor, fazendo o apetite de Rebeca por outras coisas boas aumentar.

Rebeca faz uma breve pausa e decide mudar o rumo da conversa.

REBECA: Eu to preocupada com o meu cliente. Ele ta desesperado pra saber se ela ta querendo a cabeça dele ou não.

DAVIS: O que você acha?

REBECA: Esse casamento não me cheira a amor. Me parece conveniência das grandes.

DAVIS: Você disse isso a ele?

REBECA: Não entrego resultados vagos assim, Davis.

DAVIS: Claro que não, você é boa demais.

Davis joga uma piscadela para Rebeca. E ela repara que ele olha para o quarto a cada trinta segundos.

Sutil.


REBECA: Você quer mesmo fazer valer os vinte minutos restantes do horário de almoço, não?

DAVIS: Ficou tão óbvio assim?

REBECA: Não to com vontade agora. Desculpa campeão.

DAVIS: O quê...

Ele faz uma careta de insatisfação.

REBECA: Eu preciso descobrir mais sobre essa Frontier. Kevin pode muito bem estar na mira de Dalia se é isso o que ela quer. Mas pra quem exatamente ela trabalha?


Ela continua a perambular e na pressa bate o dedinho do pé na quina da cadeira.

REBECA: AI MEU DEDO, CACETE!


E na raiva ela empurra a cadeira para longe.

Davis assiste ao acesso de raiva de Rebeca com humor.

DAVIS: Ei!

Ela volta a focar nele.

DAVIS: Dessa vez tenha certeza de que está fazendo as perguntas certas.


Davis se aproxima de Rebeca e a beija no topo da testa, depois vai embora.


REBECA: Eu suponho que não faria mal se eu conhecesse nossa vítima um pouco melhor...

Ela diz, pausadamente, enquanto traça uma estratégia de investigação sobre as jogadas de Phil Barnes na Frontier.


Natalie percorre o corredor escuro e sujo com uma confiança familiar. Era como se tivesse vivendo o mesmo momento pela décima terceira vez.

Ela encontra a porta entreaberta, para na frente e analisa mais uma vez o corredor.


Caminha para dentro e imediatamente faz um mapeamento breve do lugar.

O som das sirenes nas ruas, ainda que distante, ecoa no ouvido de Natalie – sendo que esse é o único barulho que pode ser ouvido no momento.

Uma cidade que jamais dorme, mas às vezes tão, tão quieta.


Estão esperando pelo show, baby. – Natalie delira com ansiedade.

Ela fecha os punhos só de pensar.


E chega mais próxima ao outro cômodo, explorando o local.

Ela sente uma presença atrás...


E se vira com uma rapidez de revirar o estômago.

Jerrod sorri.

NATALIE: Você não pode me surpreender, bebê.

JERROD: O que faz aqui?


NATALIE: Estou atrás de você. Não ouviu as notícias?

JERROD: Torres sabe que está aqui?

Foi direto ao ponto, filho da puta. – Natalie esbraveja em mente.

NATALIE: Sempre excessivamente direto. Você nunca foi mesmo muito bom com preliminares, Jer. Um verdadeiro desperdício.


Ele solta uma gargalhada convencida.

JERROD: Não se preocupe. Não falarei nada por enquanto.

NATALIE: Não é um favor, nem cortesia. Você ta correndo de umas pessoas também que eu sei.

JERROD: Negócio fechado então! Vamos celebrar!

NATALIE: Você irritou as pessoas erradas esse ano.

JERROD: Eu to sempre na companhia de pessoas irritantes e, ou, erradas.


NATALIE: Eu prometi a ele que não viria atrás de você sozinha, mas aqui eu estou. Sabe como... Sou meio impulsiva às vezes.

JERROD: Cuidado, pessoal. Natalie, a foda, chegou.

Jerrod dá uma risada alta.

NATALIE: Cadê a pessoa que mora aqui?

JERROD: Ops.

E ri de novo.

JERROD: Num minuto ele estava aqui. No outro, não.


Ele sorri, contente por suas habilidades como assassino de aluguel. Mais um contrato e ainda nenhum remorso.

JERROD: O que quer comigo, afinal?

NATALIE: Você anda atrás de um amigo meu.

JERROD: De quem está falando?

NATALIE: Sombra.

Jerrod faz uma pausa para sorrir e arruma a careta mais debochada de seu estoque pérfido.

JERROD: É por isso que você voltou? Por causa dele? Espera! Vocês são alguma coisa agora?

A expressão dele desafia o orgulho de Natalie.


NATALIE: Vou acabar com essa sua graça rapidinho.

JERROD: Admita que me quer.


Ela se aproxima lentamente e ele não recua.

NATALIE: No caminho para cá...

Ela chega perto o suficiente para Jerrod sentir sua respiração.


NATALIE: Eu pensei nas várias formas em que eu faria você sofrer.

Eles disparam olhares desafiadores entre si, como em um confronto de quem é mais perigoso.

NATALIE: Primeiramente eu te amarro e corto sua camisa todinha. Pego um alicate e torço seus mamilos femininos com tanta força que você pede bis. E então você percebe que não é mais uma brincadeira.

Ela faz uma pausa curta para soltar uma risada.

NATALIE: Aí eu desço até suas calças...


Jerrod levanta uma sobrancelha.

NATALIE: E as corto lentamente. Fazendo você pensar que se trata de mais uma gracinha. No fundo você fica aliviado, achando que minhas más intenções não passam de um joguinho doentio, mas não... É pra valer.

Ele parece entrar em transe, mergulhando na mesma fantasia de Natalie.


NATALIE: Dito isso, você começa a ficar preocupado. Não de morrer, pra isso você está preparado. Já flertou com a morte antes, já cuspiu na cara dela até. É familiar, confortável. Mas não dessa vez, dessa vez você sabe que eu não tenho nenhuma intenção de te deixar morrer tão cedo.


Ele só consegue fixar seus olhos nos de Natalie, enquanto ela narra sua historinha com convicção e perversidade.

NATALIE: Agora eu foco minha atenção no seu diminutivo. Com pena. Você sente sua confiança ir embora, o joguinho já não tem mais tanta graça. Se sente impotente – nos dois sentidos.


Natalie se aproxima ainda mais, quase tocando seus lábios nos dele. Ela sente a respiração de Jerrod ficando mais pesada.

NATALIE: Eu pego o canivete do meu bolso...

Natalie finge morder o lábio de Jerrod.

NATALIE: E. Faço. Um. Estrago.

Os olhos de Jerrod piscam bem rápido com a ênfase de Natalie em “estrago”.


Ela beija Jerrod com muita força, depois agarra seu pescoço pelas unhas e o arranha até sentir sua pele ficar úmida de sangue.


Jerrod a agarra, jogando-a contra a parede, depois põe seu rosto no peito dela.

Seus lábios fazem todo o trabalho exploratório.


Rebeca invade o escritório do apartamento de Phil Barnes.

O local está vazio, pois a família do executivo decidira que seria melhor ir passar um tempo na Costa Oeste após a tragédia.

Sorte daquelas. – Rebeca comemora.


Rebeca procura por um armário familiar, que possa servir de abrigo para arquivos ultrassecretos. Ou qualquer bobagem desse tipo.

Deve ser um cofre, merda! – Ela repreende.


E continua procurando, fuçando em gavetas, disparando sua lanterna para todas as direções atrás de algo útil, mas de novo, nada.


Finalmente ela aponta sua lanterna para a única gaveta que ainda não abriu.

Deve ser essa. É sempre a última! Droga, da próxima vez começo pelo fim! – Rebeca desanima.


Rebeca fecha um de seus olhos e deixa o outro bem estreito enquanto abre a gaveta em questão.

Ela encontra uma pilha de coisas – muito pó; duas aranhas; uma coleção antiga da Playboy...

Uau! Essa ruiva consegue realmente abrir as pernas! – Rebeca comenta quando folheia sem querer uma das revistas.

E então finalmente! Ali estava...

Três edições antigas do The Bridgeport Times.

REBECA: Por que ele guardou isso? Deve ser importante.

Rebeca tira algumas fotos com o celular, depois olha instintivamente para a porta para ter certeza de que não tem nenhum outro detetive espiando o seu trabalho de detetive.

Isso faria sentido. – ela pensa.

Ao continuar olhando na gaveta, descobre um fundo falso e o remove. Eureca! Documentos escondidos.

REBECA: Isso fica comigo.


Ela dá uma espiada nos papeis e os nomes de Barnes e Dutton se destacam junto com o da Frontier, mas apesar disso ela não consegue decifrar os textos.

No mesmo instante ela escuta um ruído vindo de dentro da casa e então decide que é melhor terminar sua expedição ao fantástico mundo pornográfico de Phil Barnes.


Ela guarda tudo na gaveta, menos os documentos que interessam – os quais ela coloca em sua bolsa, aquela marrom.


Rebeca levanta, e escuta passos cada vez mais próximos e pesados no corredor.


Ela arruma tudo com rapidez, mas antes que dê tempo de ajeitar a bolsa, ela escuta alguém na porta.

Então ela corre na mesma direção.


Em alerta, ela aponta sua arma para a porta.

Um capanga feio que nem bater na mãe, na avó e na tia entra e encara Rebeca.

HOMEM: Tá perdida, boneca?


Rebeca abaixa a arma e sorri.

REBECA: Não, mas você está.