DAVIS: E estamos, de novo, em uma péssima situação.
REBECA: Pois é.
DAVIS: Devo dizer que estou um pouco desapontado com você, Rebeca.
REBECA: Pode enfiar seu desapontamento no seu...
DAVIS: Calma. Devagar.
Rebeca anda até a janela. Sente que pela primeira vez não é ela quem está julgando a cidade, é o contrário.
Davis se aproxima, por trás dela. E fala diretamente em seu ouvido.
DAVIS: Eu poderia ficar aqui listando seus defeitos e te culpando e te julgando. Invés disso irei apenas agradecê-la.
REBECA: Essa é nova.
DAVIS: O fato é que existe uma grande chance do FBI encerrar o caso e tudo isso se deve a você.
REBECA: Não. Deve-se à coragem de Robert Langley.
DAVIS: A gente só pode fazer um pouco...
REBECA: Eu falhei.
DAVIS: Isso é questão de ponto de vista.
REBECA: O meu é direto.
DAVIS: O seu é embaçado.
Rebeca agoniza em pensamento, imaginando o paradeiro dele. No fundo de sua mente, ela sabe que ele não existe mais.
A vida pode ser curta e injusta. Seus crimes podem nunca ver a luz do dia. A verdade pode não te libertar. Às vezes não há chances de fugir o que te espera.
Robert sangra no chão, com os olhos bem abertos, encarando o teto. O que se pode dizer sobre seus momentos finais? O que ele estava pensando?
Pelo menos tentou corrigir seus erros. Mesmo que por motivos egoístas, faria um pouco de bem invés de puro mal.
Jerrod continua a bater em Sombra, que mal reage as pancadas no rosto e no estômago.
Jura poder sentir o gosto de sangue, quase desmaiando. Jerrod está vencendo, o que ele pretende?
Jerrod levanta Sombra e o joga contra a parede, agarra seu pescoço com firmeza e não o deixa sair.
JERROD: Sempre muito fraco. Você é exatamente a pessoa que eu lembrava. Pode tão pouco.
SOMBRA: E você continua o mesmo sádico.
JERROD: Prefiro pensar que encontrei meu verdadeiro deus.
E Jerrod solta uma gargalhada alta, ainda agarrando o pescoço de Sombra.
JERROD: Ainda fazendo os mesmos serviços sujos de sempre? Ao contrário de você, eu evolui. Fui além. Claro que eu não esperaria o mesmo de você... Não, não... Você nunca vai chegar aos meus pés!
SOMBRA: Eu mudei sim. E não faço mais esses serviçinhos sujos que tem em mente!
JERROD: Essa é boa. Eu não acredito em você, seu viadinho mentiroso...
E soca o rosto de Sombra, que mal consegue abrir os olhos depois. Sangue na parede e no rosto dele.
JERROD: Acorda! Abre os olhos, seu covarde de merda! Seja homem pelo menos uma vez na sua vida. Seu mulherzinha!
Jerrod o agarra e o joga no chão. Sombra agoniza no chão, sem conseguir levantar, mesmo com muito esforço. O sangue goteja no chão, o cheiro do desinfetante vem à tona novamente.
SOMBRA: Por que está atrás de Rebeca? Quem te colocou atrás dela?
Consegue falar, quase pausadamente, tentando recuperar o fôlego.
JERROD: E quem é essa Rebeca? Sua namoradinha?
Sombra tosse um pouco de sangue no chão e deita de lado para encarar Jerrod, que se aproxima, curvando-se para o chão para chegar bem perto de Sombra.
JERROD: Me diz uma coisa, Sombra... Já chupou a bocetinha dela?
E ri.
Sombra se levanta com tudo e acerta um murro no rosto de Jerrod, que cambaleia para trás com o baque. Surpreende-se.
Baixei a guarda – ele pensa.
SOMBRA: Cala a boca!
Mal consegue falar. Sentindo o gosto terrível de sangue ainda em sua boca, cada vez mais. E de repente imagina que deve estar muito machucado.
Jerrod se aproxima novamente.
JERROD: Ficou irritadinho? Só por que eu perguntei da bocetinha da Bebequinha?
Sombra o acerta novamente e Jerrod quase cai na cama rindo, divertindo-se ao ver que Sombra finalmente conseguiu reagir.
JERROD: É engraçado por que eu sempre pensei que fosse um chupador de pica. Não é assim que chamavam você anos atrás?
Jerrod faz uma careta de confusão e de nojo.
SOMBRA: Você não me conhece!
JERROD: Que nojento cara! Presta atenção! Que vergonha ser você...
E ri de deboche, enquanto espera uma nova reação de Sombra.
Sombra decide que é o suficiente e caminha até a porta.
JERROD: Fica tranqüilo. Ela não é mais meu alvo. Meu cliente cancelou o hit. Aquela vadia deu sorte!
SOMBRA: Então por que está na cidade?
JERROD: Revivendo os velhos tempos. Não sente saudade dos velhos tempos?
SOMBRA: Não.
Jerrod vai até Sombra. Ficam cara a cara.
JERROD: Claro que não... Eu? Eu sim me diverti muito. Ainda tem aquelas cicatrizes?
Sombra fica incomodado e se sente um menino de dez anos com medo do bicho-papão. Jerrod percebe, reconhece seu efeito perto dos outros. Ele se alimenta disso.
JERROD: Calma, cara. Por que tão sério?
E ri. Depois dá um susto bem caricato em Sombra, que fecha os olhos por reflexo.
Jerrod continua rindo e anda para dentro, perto da cama.
JERROD: Nós ainda vamos nos esbarrar de novo por aí. Foi divertido. Eu to cheio de energia. Acho que vou sair pra tomar umas... Ta afim? Quem sabe, comer umas putinhas...? Hoje é o dia de passar o pinto!
Ele ri muito alto.
JERROD: Ops! Ah é, você não gostaria! Me desculpe...
E Jerrod continua rindo de si mesmo.
Sombra vai embora e bate a porta.
Rebeca, com muito cuidado, ajuda Sombra a sentar no sofá.
SOMBRA: Au...
REBECA: Desculpa. Sombra, quem fez isso a você?
SOMBRA: Não se preocupa. Ta tudo sobre controle, doutora.
REBECA: Isso eu duvido muito. Tem certeza? Nunca te vi assim...
SOMBRA: Tenho. E você tem outras coisas pra pensar, além disso.
REBECA: Mas isso é um absurdo. Imagina que eu vou pensar no meu caso com você nesse estado.
SOMBRA: É sério doutora, fica de boa. Não foi nada.
Rebeca decide se afastar um pouco e o olha com carinho e atenção. Preocupada com o que pode acontecer a seguir, pensando se aquilo é culpa dela.
SOMBRA: Temos que encontrar Robert.
REBECA: Infelizmente é muito tarde para isso. Mas ainda podemos salvar Frederic Back. Eu não vou suportar perder mais ninguém!
SOMBRA: Então é isso o que devemos fazer.
REBECA: Descansa aí. Dorme bastante. Eu e Davis estamos cuidando disso.
Sombra se desanima.
SOMBRA: Ah... Davis.
REBECA: Ele já sabe de tudo. Tive que contar a ele. As coisas saíram do nosso controle. O caso ficou maior que tudo. Ele tinha que saber, ele precisa entrar pra ajudar.
SOMBRA: Parabéns, doutora, encerrou o caso.
REBECA: Não sei se mereço parabéns, mas sim, encerrei o maldito do caso!
SOMBRA: A gente fez o que pode. Eles já estavam marcados pra morrer antes de entrar no seu escritório. Não era nossa responsabilidade.
REBECA: E graças à coragem de um homem, o FBI tem a melhor chance em sete anos de encerrar o caso, ou pelo menos boa parte dele.
SOMBRA: Boa noite, doutora.
REBECA: Boa noite, Sombra.
E a luz da cidade os ilumina, mesmo que os ânimos estejam cansados e vagando no pensamento de que as coisas não acabaram como deveriam.
Rebeca faz uma expressão insistente, na tentativa de fazer Frederic mudar de idéia sobre a proposta.
Ele não esboça nenhuma vontade de ajudar.
FREDERIC: Tenho dois filhos pequenos, não posso fazer o que está me pedindo!
REBECA: Você já corre grande perigo, é o mínimo e mais importante, é a única coisa que você pode fazer agora. Pegue o controle. Seja forte e tome as rédeas da situação. Saia por cima.
FREDERIC: Sou um homem morto se fizer acordo com o FBI, dá no mesmo, a diferença é que livre eu posso tentar conseguir fugir.
REBECA: Vai mesmo correr o risco de Adam Hall usar seus filhos contra você?
FREDERIC: Não é isso. Eles estão seguros, estão fora da cidade. Ele não pode achá-los.
REBECA: É um homem poderoso. Pode fazer o que bem quiser. Não deve ser difícil achar duas crianças. Isto é, se ele pensa que é o necessário pra acabar com a única testemunha que o ameaça nesse momento.
FREDERIC: Preciso deixar o país, é minha única saída.
REBECA: Você fazia parte da operação de drogas de Big John e Adam Hall. E isso abrange o país todo, imagine que o governo não irá poupar esforços até achá-lo. Lembre-se que a única vantagem que você tem é a necessidade de sair do esquema. E só poderá fazer se ajudar a polícia.
FREDERIC: Sim, eu sei, mas eu... Não...
Frederic se cansa. Desiste de argumentar.
Rebeca imagina novos meios de convencê-lo.
REBECA: Frederic. É a última vez que eu vou pedir... Ou você faz um acordo com o FBI em troca de imunidade e proteção e ajuda no caso, ou você será um homem morto. Por favor, faça a coisa certa.
FREDERIC: Eu já tomei minha decisão.
REBECA: E...?
FREDERIC: Vou fugir do país. E isso é isso!
Rebeca fica pensativa, não economiza na expressão de desapontamento.
Existe apenas mais uma coisa a ser feita. Se não faz por bem, fará por mal. Pelos velhos tempos de detetive da polícia – ela pensa.
REBECA: Sabe o que eu acho?
E nisso, ela se levanta e vai até a porta da casa.
Olha novamente para Frederic.
REBECA: Acho que eu consegui uma confissão limpa de você. Boa sorte na prisão.
Rebeca abre a porta, vai embora. Logo após, agentes do FBI entram na casa anunciando que Frederic Back está preso.
REBECA: Acha que o conteúdo do meu pen drive mais a confissão de Frederic é o suficiente pra começar o processo?
PHILLIP: Acho que temos o suficiente para fazermos algumas prisões. É apenas o começo, mas é um belo começo. Adam Hall é um grande achado, agente número um.
Rebeca sorri.
Davis olha Phillip com uma careta estranha, confuso com a intimidade dele com ela.
Davis se aproxima do ouvido dela e questiona.
DAVIS: Agente número um? Mas que...
REBECA: É um apelido antigo...
DAVIS: Puta que p...
REBECA: Ah, é papo meu e do FBI, ok?
DAVIS: Não precisa ser grossa desse jeito.
REBECA: Sério mesmo, Davis?
DAVIS: Por quê?
REBECA: Ah não, cara, ah não...
Davis fica confuso e Rebeca continua sorrindo para Phillip.
Rebeca e Davis, deitados na cama, de lado e se olhando. Os ruídos da cidade são abafados pela janela. A sensação é de que a verdade finalmente foi ouvida.
REBECA: Isso nunca vai dar certo.
DAVIS: Não desiste agora. Olha, se quer saber, na minha opinião e eu não me importo com o que os outros pensam, você é uma excelente detetive particular.
REBECA: Eu não... Eu não me referia a isso, mas obrigada.
DAVIS: O que então?
REBECA: Nós. A gente nunca vai funcionar.
DAVIS: Eu sei.
Rebeca fica surpresa com Davis. E inclina um pouco, apoiando-se em seu cotovelo.
REBECA: Sabe? Quer dizer, você concorda?
DAVIS: Não era pra concordar?
REBECA: Não, claro, você é dono dos seus pensamentos. Concorda e discorda do que quiser.
Ele também se inclina.
DAVIS: Me diz...
REBECA: Você pode achar o que quiser quando quiser. Não estou tentando controlar você.
DAVIS: Me diz... Me deixa falar pomba!
REBECA: Ok.
DAVIS: A gente não funciona. Beleza. Mas, tem aqueles momentos, quer dizer, pelo menos pra mim...
REBECA: O quê?
DAVIS: Parece tão certo.
REBECA: Exatamente. Parece tão certo.
DAVIS: Por que não conseguimos fazer funcionar? É uma grande conspiração.
REBECA: Também não consigo entender. Quer dizer, a gente tentou, não tentou? Não tentou?
DAVIS: Não, sim, a gente tentou... Muito.
Ele faz uma careta.
REBECA: Às vezes as coisas não funcionam. Ponto. Sem super analisar nada.
DAVIS: É.
REBECA: É?
DAVIS: Sim... Você tem razão.
REBECA: E agora o que faremos? Será que as coisas podem continuar casuais?
DAVIS: Não vamos nos enganar, Rebeca, afinal nós já temos mais de 40 anos...
A casualidade deixa a expressão de Rebeca dando lugar para a seriedade. Davis percebe.
REBECA: Quem tem 40?
DAVIS: Voc... Eu. Eu tenho. Você não.
REBECA: Querido, pra sua informação eu fiz 35 esse ano!
DAVIS: É mesmo... Mas você... Você já fez 35 muitas vezes. Quer dizer, quantas vezes se podem fazer... Se podem fazer... 35?
Rebeca não responde, apenas o encara, em silêncio. Davis pondera.
Rebeca se levanta e sai.
DAVIS: Beca... Volta...
Rebeca sai do elevador...
E dá de cara com Sombra a esperando na porta de seu apartamento.
REBECA: O que faz aqui?
SOMBRA: Trazer notícias.
Sombra a segue.
Eles caminham até a sala.
REBECA: O que houve?
SOMBRA: Robert Langley.
REBECA: O encontraram?
SOMBRA: Sim. O encontraram. Sinto muito, doutora.
REBECA: Oh...
SOMBRA: A polícia o encontrou no meio da mata, na saída da cidade. Eles o desovaram lá.
Rebeca fica sem reação e precisa se sentar. Ela coloca as mãos nos olhos, como se estivesse tentando inibir uma grande cascata de lágrimas. Sombra se aproxima lentamente.
SOMBRA: Foram os homens de Big John. Tenho certeza.
REBECA: É... Caso encerrado.
SOMBRA: Você não podia fazer nada, doutora.
REBECA: Eu sei Sombra... Eu sei. Mas eu, sei lá...
Ela se levanta e vai até a cozinha enquanto acende um cigarro. Sombra a segue.
Ela dá uma longa tragada.
SOMBRA: Se precisar de mim...
REBECA: Claro.
SOMBRA: Sei que a última coisa que precisa agora é de um caso novo ou pensar em trabalho de maneira geral.
REBECA: Não. É exatamente isso o que eu preciso. Focar... Nisso.
SOMBRA: Ok. Verei o que posso fazer.
REBECA: Sombra...
SOMBRA: Sim?
REBECA: Obrigada por tudo.
Ela se aproxima bastante dele e sorri. Sombra retribui o sorriso.
REBECA: Nunca vou poder te pagar pela sua ajuda!
SOMBRA: Não precisa, doutora.
REBECA: Nesse caso...
Ela o abraça, deixando-o surpreso. Ele corresponde.
Depois de uns segundos, ele cheira o pescoço dela...
E percorre o caminho até os lábios de Rebeca, beijando-os com paixão.
Rebeca se afasta no mesmo momento e o empurra de leve.
REBECA: Não!
Sombra vai embora como um raio. Rebeca fica sem saber o que fazer.
REBECA: Droga!
Quase sem expressão, Sombra entra em casa com tudo...
E corre até sua geladeira. Pega uma cerveja.
E dispara em direção ao sofá, onde se joga e mergulha em pensamentos.
Não acredito que eu fiz isso – ele pensa.
SOMBRA: O que há de errado com você, Sombra? Idiota!
Ele se esparrama no sofá, dá um gole de cerveja e fecha os olhos.
Depois de um momento, ele abre os olhos e os fixa no chão, perto do sofá.
O urso.
Sombra se levanta num grande impulso e vasculha, com os olhos, os arredores do apartamento. Nada.
Ele verifica todos os cômodos e nada. Ninguém. Apenas o urso.
Volta para a sala e encara o urso. De repente ele percebe que Jerrod não irá embora tão cedo.
Maldito! – ele xinga Jerrod em pensamento.
A campainha assusta Rebeca, que levanta de sua cama e anda até a porta.
Abre. Ninguém, apenas um pacote no chão.
Ela o pega e vai para sala.
Abre o pacote, encontra um CD e mais nada. Ela vai até seu notebook e coloca o CD para rodar.
Rebeca percebe que se trata de um vídeo de execução de Robert Langley.
Robert Langley está na cadeira, amarrado, ouvindo Big John confessar seus pecados. Ou de todos?
BIG JOHN: Você está exatamente onde eu queria. Percebi que iria sair do esquema e decidi que seria a hora perfeita de acabar com toda essa palhaçada. Então joguei o nome de Adam Hall na roda... Deixei que pensasse que ele estava mais envolvido na operação do que realmente está. E veja bem, tudo funcionou muito bem. A polícia irá atrás dele, o FBI vai achar que fez uma grande prisão e eu? Eu vou sumir de Bridgeport... Vou expandir meus negócios lá fora. Tenho certeza de que Giuliani também é muito agradecido por você ter nos ajudado a descartar Hall. Sabe que... Eles não se davam bem?
E ri.
BIG JOHN: Acredita que realmente achavam que eles eram amigos?
Ri novamente, debochando.
BIG JOHN: Adam Hall não passa de um nada. De uma marionete. Um bode expiatório. E você o fez parecer um monstro, parabéns... Eu te agradeço, volte sempre.
Sorri com frieza, olhos assassinos, denunciando o que vai acontecer em breve.
BIG JOHN: Infelizmente você não pode sobreviver... Faz parte do jogo. Mas hein, cumpriu sua parte perfeitamente... E agora me diz... A paranoia não faz coisas maravilhosas?
Rebeca não pisca. Uma lágrima escorre pelo seu rosto. O gosto da injustiça trava em sua garganta. Os risos de Big John no vídeo ecoam pela sala.
A cidade parece debochar dela. Tanto sangue, tantas vidas perdidas em prol de uma grande mentira.
O celular toca e interrompe seu estado de choque.
Ela atende.
VOZ: Porque, se deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo...
REBECA: Você.
VOZ: Viu o vídeo que eu te mandei?
REBECA: Por que me mandou isso?
VOZ: Pra ver que não acabou. Nunca vai acabar.
REBECA: Eu não entendo.
VOZ: É como eu sempre digo... Existem demônios nessa cidade. E você... Não pode pará-los. Eles não são pessoas boas, mas sendo assim, nem eu, nem você, nem seu colega e nem o detetive Davis são bons. Não somos boas pessoas. Adam Hall... Apenas teve o que merecia. E o que nós merecemos... Isso também está vindo.
REBECA: Eu... Eu posso mandar esse vídeo para a polícia!
VOZ: Mas não vai. E sabe por quê? Porque isso significaria que todos que você ama estariam em perigo novamente. É o que quer?
REBECA: Não pode ser assim...
VOZ: Você não pode parar a grande máquina, Rebeca. Não pode contra essas pessoas.
REBECA: Como sabe que eu não teria coragem de ir à polícia?
VOZ: Desde a vez que me espancou naquela viela nojenta... Acabou ganhando meu respeito. Naquele momento eu pensei em cortar a sua garganta, e não se engane eu poderia, mas então pensei melhor e decidi deixá-la continuar.
REBECA: Eu não teria tanta certeza de que eu ficarei quieta se eu fosse você...
VOZ: Eu vou te dizer o que vai fazer, você vai queimar esse vídeo agora e jogar esse caso no fundo do seu inconsciente e colocar uma pedra em cima. Para sempre. Você deu sorte dessa vez, garota, mas jogue com os peixes grandes mais uma vez e irá perder.
Desliga.
Talvez seja verdade, talvez ela não possa derrotar todos os demônios. O sistema é forte demais.
Mas talvez haja chances de vitória nas próximas vezes...
E Rebeca se sente sozinha. Sente toda culpa.
Até que não sente mais nada.